Contratos de Distribuição de Gás e Equilíbrio Econômico: a (i)legalidade da cobrança por gás não utilizado sem previsão contratual
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.0102-8049.ip%25pPalavras-chave:
contratos de distribuição de gás, equilíbrio econômico, consumo mínimo, cobrança sem previsão contratual, autonomia da vontade, boa-fé objetiva, função social do contrato, vedação ao enriquecimento sem causa, cláusula take or pay, segurança jurídicaResumo
O presente artigo examina, sob perspectiva crítica e dogmática, a prática de concessionárias de serviço público de distribuição de gás natural que buscam impor cobranças por consumo ou movimentação mínima sem previsão contratual expressa. Partindo da análise dos contratos comutativos de trato sucessivo, o estudo investiga os limites da autonomia privada e da força obrigatória dos contratos, especialmente diante da ausência de cláusulas específicas como a de take or pay. São explorados os fundamentos normativos e jurisprudenciais que sustentam a necessidade de pactuação clara e inequívoca para a exigência de obrigações patrimoniais, com destaque para os princípios da boa-fé objetiva, função social do contrato e vedação ao enriquecimento sem causa. A pesquisa articula revisão bibliográfica nacional e estrangeira, análise de precedentes dos tribunais superiores e discussão sobre o impacto da Lei da Liberdade Econômica e do Marco Regulatório do Gás Natural. O artigo propõe um diálogo entre justiça contratual e equilíbrio econômico, abordando os riscos de práticas leoninas e a relevância da intervenção judicial para a preservação da segurança jurídica nas relações negociais do setor de gás. O texto convida o leitor a refletir sobre os desafios e limites da cobrança por insumo não utilizado, à luz dos princípios estruturantes do direito contratual privado brasileiro, e sobre o papel do Poder Judiciário na contenção de abusos e na promoção do equilíbrio econômico nas relações empresariais.
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Referências
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