Princípios da Territorialidade e Autonomia das Partes na regulação de contratos de “Fashion Law”

Uma Perspectiva Principiológica Sobre a Atuação das Marcas de Alta-Costura

Autores

  • Sofia Cristina Sanchez Buchala USP - Graduação

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.0102-8049.i2p145-168

Palavras-chave:

Direito da moda, Marca, Territorialidade, Autonomia das Partes, Princípios contratuais, Licenciamento, contrato de licenciamento, Propriedade intelectual, Cláusulas

Resumo

O universo do Direito da Moda ("Fashion Law") tem se expandido significativamente nos últimos anos, acompanhando a globalização do mercado da moda e a consolidação de marcas de luxo como atores econômicos de relevância internacional. No contexto das casas de alta-costura, contratos não são apenas instrumentos jurídicos: são ferramentas estratégicas para consolidar imagem de marca, controlar exclusividade de produtos e expandir mercados sem perder o prestígio associado ao luxo.

Entretanto, esse panorama enfrenta um desafio central: a tensão entre o princípio da territorialidade das marcas - que restringe a proteção jurídica a determinadas jurisdições dentro das centenas de cadeias contratuais, desde a extração de matérias primas, confecção, até a distribuição dos produtos - e a autonomia das partes, que permite às maisons de luxo estruturar contratos globais segundo seus interesses comerciais. Essa tensão se evidencia em casos de licenciamento internacional (marcas), distribuição exclusiva, colaborações com designers (collabs) ou influenciadores e vendas digitais que cruzam fronteiras.

O presente artigo propõe uma análise crítica dessa interface, buscando compreender como o direito contratual e a proteção marcária interagem para moldar as estratégias comerciais das marcas de alta-costura. Adota-se uma perspectiva que privilegia a dimensão comercialista, considerando o contrato como instrumento de maximização de valor e mitigação de riscos, sem perder de vista as limitações impostas pela territorialidade da proteção marcária.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

Nam, Nora Ho Tu, e Yonatan Fessha. “Revisiting the Place and Use of Territorial

Autonomy under International Law.” International Journal on Minority and Group

Rights, vol. 25, no. 4, 2018, pp. 530–60. JSTOR,

https://www.jstor.org/stable/27072157. Acesso em 25 de Agosto de 2025.

Duhan, Dale F., e Mary Jane Sheffet. “Gray Markets and the Legal Status of Parallel

Importation.” Journal of Marketing, vol. 52, no. 3, 1988, pp. 75–83. JSTOR,

https://doi.org/10.2307/1251451. Acesso em 25 de Agosto de 2025.

Victor, A. Paul. “PREVENTING IMPORTATION OF PRODUCTS IN VIOLATION

OF PROPERTY RIGHTS.” Antitrust Law Journal, vol. 53, no. 3, 1984, pp. 783–802.

JSTOR, http://www.jstor.org/stable/40842902. Acesso em 25 de Agosto de 2025.

Raustiala, Kal, e Christopher Sprigman. “The Piracy Paradox: Innovation and

Intellectual Property in Fashion Design.” Virginia Law Review, vol. 92, no. 8, 2006,

pp. 1687–777. JSTOR, http://www.jstor.org/stable/4144970. Acesso em 25 de Agosto

de 2025.

Trakman, Leon E. “THE BOUNDARIES OF CONTRACT LAW IN

CYBERSPACE.” Public Contract Law Journal, vol. 38, no. 1, 2008, pp. 187–236.

JSTOR, http://www.jstor.org/stable/25755703. Acesso em 25 de Agosto de 2025.

JACKSON, L. J. “The Genuine Article: Some Fashion Designers Say Their Work

Deserves Copyright Protection, While Others Argue That Legal Protection Would

Harm the Industry.” ABA Journal, vol. 97, no. 7, 2011, pp. 48–54. Disponível em:

JSTOR, http://www.jstor.org/stable/23033984.Acesso em 25 de Agosto de 2025.

Chacón, Gloria Elizabeth. “Material Culture, Indigeneity, and Temporality: The

Textile as Legal Subject.” Textual Cultures, vol. 13, no. 2, 2020, pp. 49–69.

Disponível em: JSTOR, https://www.jstor.org/stable/26966965. Acesso em 25 de

Agosto de 2025.

VILHENA, M. C. M. G. A proteção do conhecimento tradicional no Brasil e na Índia.

Orientador: Dalmo de Abreu Dalari. 2019. Dissertação de mestrado – Universidade de

São Paulo, São Paulo, 2019. p.23.

WIPO. Conhecimentos tradicionais e propriedade intelectual. Nota informativa nº 1.

Disponível em:

https://www.wipo.int/edocs/pubdocs/pt/wipo-pub-rn2023-5-1-pt-traditional-knowledg

e-and-intellectual-property.pdf. Acesso em 25 de Agosto de 2025.

GALDINO, Carolina Mansinho. A indústria da moda como referência para a

compreensão da lógica de mercado e da essencialidade da propriedade intelectual:

uma discussão a partir do filme "O diabo veste prada". In: NEVES, Rodrigo Santos;

GALDINO, Eunice; GALDINO, Júlio César de Souza (org.). Propriedade intelectual

na visão do cinema: volume 2. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2022. p. 159-170.

Trakman, Leon E. “THE BOUNDARIES OF CONTRACT LAW IN

CYBERSPACE.” Public Contract Law Journal, vol. 38, no. 1, 2008, pg. 187–236.

JSTOR. Disponível em: http://www.jstor.org/stable/25755703. Acesso em 26 de

Agosto de 2025.

DEZALAY , Yves; GARTH, Bryant. Merchants of Law as Moral Entrepreneurs:

Constructing International Justice from the Competition for Transnational Business

Disputes. Law & Society Review, v. 29, n. 1, p. 27-64, 1995. Disponível em:

https://doi.org/10.2307/3054053. Acesso em 01 de setembro de 2025.

Publicado

2025-10-01

Como Citar

Buchala, S. . (2025). Princípios da Territorialidade e Autonomia das Partes na regulação de contratos de “Fashion Law”: Uma Perspectiva Principiológica Sobre a Atuação das Marcas de Alta-Costura. Revista De Direito Mercantil, 190(2), 145-168. https://doi.org/10.11606/issn.0102-8049.i2p145-168