Os arquivos pessoais: o caso dos arquivos pessoais de cientistas, trajetórias e metodologias
DOI:
https://doi.org/10.14201/reb202411235368Palavras-chave:
Arquivos pessoais, arquivos de cientistas, História da CiênciaResumo
Este artigo versa sobre a introdução dos arquivos pessoais sob a égide institucional e teórica da arquivologia e as particularidades dos arquivos de cientistas como fontes para a história da ciência. A suposta artificialidade nos arquivos pessoais e a vocação dos teóricos da arquivologia pela história administrativa fizeram com que os arquivos pessoais não fossem considerados arquivos. Com a Escola dos Annales e a renovação da historiografia, novos temas e metodologias vêm à tona, e o interesse pelos arquivos pessoais se torna emergente. No Brasil, a institucionalização e os primeiros estudos sobre o tratamento de arquivos pessoais advém da década de 1980 com a insurgência de centros de documentação e memória, que passaram a preservar acervos de artistas, políticos e cientistas, introduzindo diretrizes de tratamento documental e políticas de acervo. Nos arquivos de cientistas vimos que a sua preservação e tratamento arquivístico deriva desse movimento historiográfico e da renovação de instituições de memória. Os arquivos de cientistas trazem a especialidade de operarem como fontes para a história da ciência configurando parcelas da memória científica, sobretudo ao que compete os processos de criação e desenvolvimento da ciência. O tratamento arquivístico advém do estudo das atividades profissionais e pessoais do titular do arquivo.
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