Os hospitais-rurais e a hidroterapia: ciência médica nas plantations do Vale do Paraíba Fluminense oitocentista

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DOI:

https://doi.org/10.14201/reb202411236985

Palavras-chave:

Hospitais, hidroterapia, século XIX, escravizados, Vale-do-Paraíba-Fluminense

Resumo

O presente artigo tem o objetivo de analisar como práticas de assistência à saúde foram incorporadas às estratégias administrativas para a boa gestão dos complexos cafeeiros do interior da Província do Rio de Janeiro da segunda metade do século XIX. O chamado Vale do Paraíba Fluminense era uma importante região para a economia do Império brasileiro à época, devido à alta produção e exportação do café, dependentes da mão de obra escravizada. Com a Lei Eusébio de Queiroz (1850) e a proibição do tráfico internacional de cativos, a manutenção da saúde passou a ser recomendada como forma de prolongar sua vida útil nas lavouras cafeeiras, evitando impactos consequentes desta nova realidade. Entre as iniciativas encontradas na região, destacaremos a construção dos hospitais-rurais e até mesmo a escolha pela hidroterapia como forma de tratamento. Observaremos, com isso, a popularização da ciência médica ao ser incorporada aos hábitos sociais, através de uma elite rural receptiva aos seus conhecimentos, adaptando-os às suas demandas mais urgentes, sendo assim validados, valorizados e reconstruídos pela população.

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Biografia do Autor

  • Anne Thereza de Almeida Proença, Fundação Oswaldo Cruz

    Doutora em História das Ciências e da Saúde pela Casa de Oswaldo Cruz (COC, Fundação Oswaldo Cruz, Brasil).

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Publicado

2024-12-04

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Seção

Seção Geral

Como Citar

Os hospitais-rurais e a hidroterapia: ciência médica nas plantations do Vale do Paraíba Fluminense oitocentista. (2024). Revista De Estudios Brasileños, 11(23), 69-85. https://doi.org/10.14201/reb202411236985