Modernidades Plurais, Histórias Globais
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2316-9141.rh.2020.237619Palavras-chave:
Época Moderna, Modernidades plurais, Histórias GlobaisResumo
Resenha do Livro: ARAÚJO, André de Melo; LIMA, Luís Filipe Silvério; DORÉ, Andréa; RIBEIRO MACHEL, Marília de Azambuja; RODRIGUES, Rui Luis (org.). A Época Moderna. Petrópolis: Vozes, 2024.
Esta resenha analisa criticamente a coletânea A Época Moderna, organizada por André de Melo Araújo, Luís Filipe Silvério Lima, Andréa Doré, Marília de Azambuja Ribeiro Machel e Rui Luis Rodrigues, publicada em 2024 pela Editora Vozes. Resultado do trabalho coletivo de pesquisadores vinculados à Rede Brasileira de Estudos em História Moderna (h_moderna), a obra propõe uma releitura da Primeira Modernidade (séculos XV a XVIII) a partir de uma perspectiva historiográfica crítica, global e não eurocêntrica. Estruturada em quatro partes — aspectos estruturais, espaços e circulações globais, transformações culturais e conflitos e revoluções — a coletânea articula temas clássicos da historiografia com abordagens renovadas, incorporando sujeitos historicamente marginalizados, redes transcontinentais e pluralidade de experiências históricas. A resenha enfatiza os méritos do volume, especialmente o compromisso com a crítica às narrativas teleológicas e à centralidade europeia, bem como a valorização de práticas e epistemologias alternativas. Destacam-se os capítulos dedicados às circulações atlânticas e índicas, às modernidades islâmicas e asiáticas, à crítica ao humanismo renascentista e ao Iluminismo, e às revoluções atlânticas, que contribuem decisivamente para a renovação do campo da História Moderna no Brasil. Por outro lado, a análise aponta limites relevantes, como a persistência de um foco europeu em algumas seções, a ausência de uma abordagem interseccional mais sistemática e certa desigualdade na densidade empírica e teórica entre os capítulos. A coletânea, contudo, apresenta-se como instrumento valioso tanto para o ensino superior quanto para a formação docente, ao articular atualizações historiográficas e metodológicas com preocupação pedagógica. Ao desafiar as bases tradicionais da historiografia moderna, A Época Moderna afirma-se como obra de referência para repensar criticamente os fundamentos e as múltiplas expressões da modernidade em escala global.
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Referências
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