Entre o legado musical e a redescoberta da escuta na pós-modernidade
Os caminhos de uma nova música em Luciano Berio
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2447-7117.rt.2018.153035Palavras-chave:
Escuta, Sonologia, Música Contemporânea, Luciano BerioResumo
O presente artigo propõe-se primeiramente a examinar o argumento de Seth Kim-Cohen sobre a existência de um divisor de águas nas artes em meados do século XX a que atribui a origem de uma “virada epistemológica e ontológica” cultural profunda – situada, na música, no ano de 1948. Kim-Cohen aponta nessa data a confluência de três eventos decisivos para isso: o início das experimentações sonoras do engenheiro Pierre Schaeffer, nos estúdios da ORTF (Office de Radiodiffusion Télévision Française) e a primeira composição silenciosa de John Cage – lançando os princípios da música concreta e da aleatoriedade na música, como alternativa ao paradigma da música ocidental erudita. O terceiro evento assinalado por Kim-Cohen refere-se às gravações elétricas pioneiras de Muddy Water, em que a tecnologia, usada tanto na gravação como na reprodução sonora, por um lado amplifica e modifica o som acústico, por outro interfere na relação presença/ausência, dada pela interação entre os próprios músicos na performance musical, entre músicos e ouvintes, entre produção sonora e espaço acústico, além de tornar possível, a ampla circulação e utilização de músicas.
Sob essa perspectiva, o artigo busca compreender os possíveis efeitos da introdução de tecnologias na produção e reprodução sonora, no século XX sobre a escuta na pós-modernidade e, de outro lado, sobre a composição musical, em particular, sobre a poética do compositor Luciano Berio, enquanto pensamento musical e estético. A escolha desse compositor entre tantos se justifica primeiramente pelo interesse na maneira como mostra articular muitas das questões que se apresentaram à sua geração, especialmente no que concerne à relação entre legado, ruptura e inovação, entre som-em-si e os significados implícitos em suas escolhas, entre o seu itinerário pessoal e a consciência do seu tempo, entre expressão pessoal e o sentimento de responsabilidade histórica, entre a representação da nacionalidade e a alteridade.
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