Colecistite aguda gangrenosa em paciente com comorbidades metabólicas

Autores

  • Thales Baptista Gut Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil. https://orcid.org/0009-0009-5657-3485
  • Carolina Naomi Torigoe Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Igor José Nogueira Gualberto Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Thathiane Lima Barreto Rolleri Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Henrique Cannever Velho Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.
  • Brenda Martines Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP). São Paulo, SP. Brasil.

Palavras-chave:

Colecistite Aguda, Colecistite Complicada, Colecistite Gangrenosa, Cirurgia do Aparelho Digestivo, Abdome Agudo, Urgências Cirúrgicas

Resumo

Colecistite gangrenosa representa uma complicação grave da colecistite aguda, caracterizada por necrose da parede vesicular e elevado risco de perfuração, sepse e mortalidade. Desenvolve-se em 2% a 38% dos casos, especialmente em pacientes com fatores de risco como idade avançada, diabetes mellitus e obstrução persistente do ducto cístico. A fisiopatologia envolve obstrução do ducto, distensão vesicular, isquemia local e resposta inflamatória exacerbada, culminando em necrose transmural e abscessos intramurais. Relato de Caso Mulher de 50 anos apresentou dor abdominal no hipocôndrio direito com evolução de quatro dias, associada a náuseas, vômitos incoercíveis e inapetência. Possuía antecedentes de diabetes mellitus. No exame físico, encontrava-se em estado geral regular, hemodinamicamente estável, hidratada e anictérica, com dor à palpação no hipocôndrio direito e sinal de Murphy positivo. Os exames laboratoriais revelaram leucocitose (15.330 células/mm³) com predomínio de neutrófilos, PCR elevada (339 mg/L) e aumento das enzimas canaliculares (GGT 481 U/L e FA 283 U/L), indicando processo inflamatório agudo. A tomografia abdominal confirmou colecistite aguda complicada, evidenciando litíase vesicular, densificação perivesicular, líquido livre e solução de continuidade na parede vesicular, sugerindo necrose focal. A paciente iniciou antibioticoterapia empírica com ceftriaxona e metronidazol e foi submetida à colecistectomia videolaparoscópica. Durante o procedimento, identificou-se vesícula espessada, aderida a estruturas adjacentes, com perfuração peri-infundibular e drenagem de líquido livre abdominal. A cultura revelou Streptococcus anginosus multissensível. O exame anatomopatológico confirmou colecistite crônica calculosa em surto agudo gangrenoso. No pós-operatório, a paciente evoluiu bem recebendo alta no quarto dia com orientações para seguimento multidisciplinar. Discussão Este caso destaca a complexidade do manejo da colecistite gangrenosa em pacientes com comorbidades crônicas, como diabetes e hipertensão, que podem mascarar sintomas ou acelerar complicações. A cirurgia videolaparoscópica demonstrou-se segura e eficaz, reforçando a importância do diagnóstico precoce por imagem e intervenção imediata para reduzir morbimortalidade. 

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Referências

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Publicado

2025-07-03

Como Citar

Gut, T. B. ., Torigoe, C. N. ., Gualberto, I. J. N. ., Rolleri, T. L. B. ., Velho, H. C. ., & Martines, B. . (2025). Colecistite aguda gangrenosa em paciente com comorbidades metabólicas. Revista De Medicina, 104(4 esp.), e-238629. https://revistas.usp.br/revistadc/article/view/238629