Alegria e preguiça: arte contemporânea em museus etnográficos
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2446-7693.2026.v11ip104-128pKeywords:
arte contemporânea, museus etnográficos, decolonizaçãoAbstract
Muitos museus etnográficos incorporam obras de arte contemporânea entre as mostras de seus acervos permanentes. Seja para compensar lacunas históricas, seja como parte do processo de atualização do espaço expositivo museal ou ainda uma reação às críticas das últimas décadas, que apontaram os museus etnográficos (e também os universais) como a própria representação materializada da narrativa colonial. Com as discussões sobre restituição à baila na esfera pública e midiática, a arte contemporânea passou a figurar dentro dos museus como um instrumento de suposta indicação de abertura à discussão sobre a devolução de objetos ou um jeito de assimilar e debater as críticas externas nas próprias paredes dos museus, como se as obras de artistas que tiveram seus antepassados vilipendiados pudessem redimir os museus de sua aura sepulcral e colecionista dos antigos gabinetes de curiosidades. O presente trabalho pretende discutir sobre o papel decolonizador da arte contemporânea em museus etnográficos e seus limites nas políticas de reparação e restituição, analisando as obras de artistas contemporâneos em duas exposições recentes em museus etnográficos: no Museu Wereld (até outubro de 2024), em Leiden, na Holanda, as obras de Emeka Ogboh, e na exposição “Benin – Retrospectiva-Perspectiva” (de outubro a dezembro de 2023), no Museu Weltkulturen de Frankfurt, na Alemanha, as obras de Mayowa Tomori e Osaze Amadasun. Os três artistas têm como tema a restituição das peças de bronze do antigo reino do Benin. A partir da metodologia de Marília Xavier Cury (2021), é analisada como a montagem das exposições sugere diferentes leituras, mas as legendas que as acompanham levam a uma mesma conclusão quanto à pauta dos artistas de que a restituição das obras não cabe aos museus.
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