Ensinando escutas: pedagogias sonoras entre Murray Schafer e a Arte Sonora
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2238-7625.rm.2025.237462Palavras-chave:
Escuta, Educação musical, Arte sonora, R. Murray Schafer, SonologiaResumo
Este artigo traça uma aproximação entre a Arte Sonora e a educação musical, especialmente a de R. Murray Schafer, aproximadas a partir da centralização da escuta que ambas compartilham como marca fundamental. Mobilizamos, para formular essa aproximação, os conceitos de educação sonoro-musical (LATORRE, 2014), pedagogia sonora (TINKLE, 2015) e pedagogia da escuta, que indicam um caráter pedagógico interno à obra artística que consistiria em ensinar escutas. Partimos inicialmente da discussão da Sonologia em torno das vanguardas musicais do século XX e do conceito de musicalização do som (KAHN, 1999), que aponta criticamente para a cisão do mundo sonoro entre som musical e ruído, e identifica o paradigma musical como fundado em uma concepção de som e escuta que exclui dimensões significativas e relacionais. Em seguida, exploramos as propostas educacionais de Murray Schafer através de sua formulação da ecologia acústica e da educação sonora, destacando sua formulação de uma escuta moralista baseada na dicotomia entre silêncio e ruído e as limitações pedagógicas decorrentes dessa concepção. Por fim, abordamos a Arte Sonora posicionando seus métodos de pedagogia sonora como um possível ponto de abertura para o ensino de escutas plurais, investigando a diversidade de seus entendimentos de som e escuta que engendraria aquilo que chamamos de escutas relacionais. Concluímos propondo que a Arte Sonora poderia contribuir para o desenvolvimento de uma pedagogia da escuta que expande o âmbito e as interrelações do som e da escuta, consequentemente expandindo as condições de escuta que poderiam ser pedagogicamente trabalhadas por uma educação sonoro-musical.
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