Gestos transatlânticos: perspectivas sobre Germaine Acogny, sua Escola de Areias e a dança como crítica à colonialidade

Auteurs

  • Luciane Silva Universidade Estadual de Campinas

DOI :

https://doi.org/10.11606/issn.2448-1750.revmae.2025.236796

Mots-clés :

Germaine Acogny, Dança, Colonialidade, Senegal, África

Résumé

Baseado em pesquisa multidisciplinar que cruza áreas de produção de conhecimento , marcadamente a dança e a antropologia, este artigo discorre sobre as afirmações da pensadora e coreógrafa  Germaine Acogny e sua contribuição para a movimentação de um pensamento contemporâneo sobre corpo, autonomia e cosmologias  africanas a partir da experiência senegalesa.  Desenvolvemos um arco discursivo que começa no período das independências africanas, contextualizando as políticas públicas para as artes e especificamente a relevante e ambígua proposta de Leopold Sedar Senghor , passando pela escola Mudra África em Dacar até chegar no projeto da Escola de Areias, Centro Internacional de danças africanas tradicionais e contemporâneas. Aborda-se também a passagem de Acogny pelo Balé da Cidade de São Paulo nos anos 90´s e as provocações geradas nesse encontro insuspeito para a época. Toma-se o conceito de transatlanticidade, forjado pela historiadora Beatriz Nascimento ,  como vetor que nos possibilita ler a experiência negra redefinida da África para as Américas e levanta-se alguns apontamentos sobre  como essa reinvenção passa por reconsiderar as agências africanas e suas respostas às eurocentricidades.  As colaborações sul-sul possibilitam reconstruções de  imagens e engendramento de novas percepções sobre corpos e territórios. 

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Biographie de l'auteur

  • Luciane Silva, Universidade Estadual de Campinas

    Professora Doutora no Departamento de Artes Corporais do Instituto de Artes da UNICAMP. Doutora em Artes da Cena pelo IA- UNICAMP ( 2018). Graduada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (2003) e mestre em antropologia social pela Universidade Estadual de Campinas ( 2008 ). Foi membro do Grupo Interinstitucional Corpo e ancestralidade; Foi gestora de projetos no Acervo África, espaço de pesquisa e exposição de cultura material africana; É Co-diretora da Revista OMenelick2Ato (ISSN 2317-4706), projeto editorial que aborda cultura e sociedade na afro diáspora. Foi docente na FACAMP na área de estudos africanos para relações internacionais. Compos a equipe da Sala Crisantempo, espaço de educação em dança. Sua experiência transdisciplinar envolve as seguintes áreas: artes da cena, relações raciais, antropologia do corpo, relações internacionais, epistemologias afro orientadas , curadoria de dança, estudos da diáspora, cinema africano. Possui especialização em diáspora africana pelo David C. Driskell Center for the Study of the African Diaspora (Maryland/EUA). Realiza, desde 2009, pesquisa de campo em países da África do Oeste: Burkina Faso, Guiné Conacry e Senegal - com enfoque neste ultimo onde realizou cursos e investiga a Ecole des Sables e a trajetória da coreógrafa Germaine Acogny. Foi co-organizadora da rede Encruzilhadas - poéticas, contextos e atuações do corpo em diáspora. Foi diretora do Diaspóros Coletivo das artes. Foi membra do Fórum de danças contemporâneas e corporalidades plurais. Foi bailarina na Anikaya Dance Theater, sediada em Boston , EUA e atualmente além da carreira acadêmica lidera o grupo de dança amor catastrófico

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Publiée

2024-12-31

Comment citer

SILVA, Luciane. Gestos transatlânticos: perspectivas sobre Germaine Acogny, sua Escola de Areias e a dança como crítica à colonialidade. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, São Paulo, Brasil, n. 45, p. 67–78, 2024. DOI: 10.11606/issn.2448-1750.revmae.2025.236796. Disponível em: https://revistas.usp.br/revmae/article/view/236796. Acesso em: 11 févr. 2026.