Dentes intencionalmente modificados e etnicidade em cemitérios do Brasil Colônia e Império

Autores

  • Andersen Liryo Universidade Federal do Rio de Janeiro. Museu Nacional. Departamento de Antropologia
  • Sheila Mendonça de Souza Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Escola Nacional de Saúde Pública. Departamento de Endemias Samuel Pessoa
  • Della Collins Cook Universidade de Indiana. Departamento de Antropologia

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2448-1750.revmae.2011.89979

Palavras-chave:

Modificação dentária intencional, Escravidão, Arqueologia histórica, Bioarqueologia, Brasil, África

Resumo

A modificação intencional dos dentes foi muito difundida na África, vindo com escravos para a América. No Brasil foram encontradas em alguns sítios arqueológicos, sendo aqui estudadas em dois cemitérios históricos do Brasil: Pretos Novos, no Rio de Janeiro (único cemitério de um mercado de escravos na América), e cemitérios da antiga Sé de Salvador. Entre 570 dentes (30 indivíduos) dos Pretos Novos foram encontrados 13 dentes modificados. Entre 3181 dentes da Sé (62 enterros primários do séc. XVIII, e número indeterminado de re-deposições de outros períodos) foram encontrados 122 dentes modificados. Sua análise resultou em 13 tipos de modificações, a maior parte nos incisivos centrais superiores, e 10 tipos de arcos dentários modificados, evidenciando-se a técnica de percussão e lascamento dos dentes na maior parte dos casos. O achado de diferentes estilos de modificações sugere diferentes origens geográficas para os escravos do Rio e Salvador, o que é consistente com os dados históricos. No adro da Sé, a proximidade de enterros com modificações dentárias semelhantes sugere laços étnicos ou sociais, talvez de parentesco, entre os mortos.

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Publicado

2011-12-09

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

LIRYO, Andersen; SOUZA, Sheila Mendonça de; COOK, Della Collins. Dentes intencionalmente modificados e etnicidade em cemitérios do Brasil Colônia e Império. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, São Paulo, Brasil, n. 21, p. 315–334, 2011. DOI: 10.11606/issn.2448-1750.revmae.2011.89979. Disponível em: https://revistas.usp.br/revmae/article/view/89979. Acesso em: 1 fev. 2026.