Discretas loucuras quixotescas: paradoxos e sociedade de corte
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2316-9036.i150p35-48Palavras-chave:
Cervantes, Dom Quixote, discreto, loucura, sociedade de corteResumo
Publicado em 1605 (primeira parte) e em 1615 (segunda parte), o Quixote de Miguel de Cervantes se insere no período em que havia uma regulação da vida social por meio de tratados que exerciam uma função pedagógica na divulgação de formas de conduta desejáveis. A discrição surge como uma conduta almejada por meio da qual o cortesão poderia atingir seus objetivos de modo mais eficaz, seguindo os parâmetros da urbanidade. No texto cervantino observa-se uma grande incidência do termo discreto e seus derivados referentes muitas vezes às atitudes e à fala do cavaleiro, embora a discrição fosse incompatível com a loucura. O objetivo do presente artigo é examinar como Cervantes compõe seu personagem por meio de um paradoxo, na medida em que Dom Quixote, além de louco, também é discreto.
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