Transmissão enzoótica de Trypanosoma cruzi e T. rangeli no Distrito Federal, Brasil

Autores

  • Rodrigo Gurgel-Gonçalves Universidade Católica de Brasília; Laboratório de Zoologia
  • Eduardo Dias Ramalho Universidade de Brasília; Faculdade de Medicina; Área de Patologia; Laboratório de Parasitologia Médica e Biologia de Vetores
  • Marco Antônio Duarte Universidade de Brasília; Faculdade de Medicina; Área de Patologia; Laboratório de Parasitologia Médica e Biologia de Vetores
  • Alexandre Ramlo Torre Palma Universidade Católica de Brasília; Laboratório de Zoologia
  • Fernando Abad-Franch Centro de Pesquisa Leônidas & Maria Deane, Fiocruz/Amazônia
  • Julio Cesar Carranza Facultad de Ciencias; Universidad del Tolima; Laboratorio de Investigaciones en Parasitología Tropical
  • César Augusto Cuba Cuba Universidade de Brasília; Faculdade de Medicina; Área de Patologia; Laboratório de Parasitologia Médica e Biologia de Vetores

Palavras-chave:

Trypanosoma cruzi, T. rangeli, Didelphis albiventris, Rhodnius neglectus, Enzootic transmission, Federal District, Brazil

Resumo

O Distrito Federal (DF) do Brasil está localizado no bioma Cerrado, um complexo de fisionomias savânicas incluindo matas de galeria e campos úmidos permanentes (veredas). Triatomíneos silvestres infectados por Trypanosoma cruzi ocorrem na área, mas a transmissão enzoótica de tripanossomatídeos permanece insuficientemente caracterizada. Um estudo parasitológico envolvendo triatomíneos silvestres (166 Rhodnius neglectus coletados em palmeiras da espécie Mauritia flexuosa) e pequenos mamíferos (98 marsupiais e 70 roedores, totalizando 18 espécies) foi conduzido em 18 áreas, principalmente matas de galeria e veredas. Os parasitas foram isolados, identificados morfologicamente e caracterizados por PCR do DNA do cinetoplasto (kDNA) e núcleo (gene mini-exon). Seis R. neglectus, sete Didelphis albiventris e um Akodon cursor estavam infectados por tripanossomatídeos; a infecção em reservatórios silvestres é documentada pela primeira vez no DF. O PCR do kDNA detectou T. cruzi em cinco R. neglectus e o PCR do gene mini-exon revelou T. cruzi I nos isolados de D. albiventris. Um dos insetos mostrou estar infectado por T. rangeli KP1+. Apesar da ocorrência de D. albiventris (um importante reservatório silvestre e peridoméstico) e R. neglectus (um vetor secundário capaz de invadir domicílios) infectados por T. cruzi, um baixo risco de transmissão da doença de Chagas humana seria esperado no DF, considerando a baixa prevalência da infecção apresentada neste trabalho. A evidência molecular apresentada neste trabalho confirma a circulação de T. rangeli KP1+ com R. neglectus como vetor, amplia a distribuição geográfica deste parasita no Brasil e reforça a hipótese de adaptação de populações de T. rangeli (KP1+ e KP1-) a diferentes linhagens evolutivas de espécies de Rhodnius.

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Referências

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Publicado

2004-12-04

Edição

Seção

Epidemiologia

Como Citar

Gurgel-Gonçalves, R., Ramalho, E. D., Duarte, M. A., Palma, A. R. T., Abad-Franch, F., Carranza, J. C., & Cuba Cuba, C. A. (2004). Transmissão enzoótica de Trypanosoma cruzi e T. rangeli no Distrito Federal, Brasil . Revista Do Instituto De Medicina Tropical De São Paulo, 46(6), 323-330. https://revistas.usp.br/rimtsp/article/view/30857