Susceptibilidade do macaco Cebus apella (Primata: Cebidae) à infecção experimental por Leishmania (L.) infantum chagasi

Autores

  • Liliane Almeida Carneiro Ministério da Saúde; Secretaria de Vigilância em Saúde; Instituto Evandro Chagas; Departamento de Parasitologia
  • Fernando Tobias Silveira Universidade Federal do Pará; Núcleo de Medicina Tropical
  • Marliane Batista Campos Ministério da Saúde; Secretaria de Vigilância em Saúde; Instituto Evandro Chagas; Departamento de Parasitologia
  • Maria do Carmo de Oliveira Brígido Ministério da Saúde; Secretaria de Vigilância em Saúde; Instituto Evandro Chagas; Departamento de Parasitologia
  • Claudia Maria C. Gomes Universidade de São Paulo; Faculdade de Medicina; Departamento de Patologia
  • Carlos E.P. Corbett Universidade de São Paulo; Faculdade de Medicina; Departamento de Patologia
  • Márcia D. Laurenti Universidade de São Paulo; Faculdade de Medicina; Departamento de Patologia

Palavras-chave:

Susceptibility, Cebus apella monkey, Experimental infection, Leishmania (L.) infantum chagasi

Resumo

Na Amazônia Brasileira, o macaco Cebus apella (Primata: Cebidae) tem sido associado com o ciclo enzoótico da Leishmania (V.) shawi, um parasito dermotrópico causador da Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA). Ele tem sido também empregado com sucesso como modelo experimental para estudo da leishmaniose tegumentar. Neste trabalho, foi investigada sua susceptibilidade à infecção experimental por Leishmania (L.) infantum chagasi, o agente etiológico da Leishmaniose Visceral Americana (LVA). Foram usados dez espécimes de C. apella oito adultos e dois jovens, quatro machos e seis fêmeas, todos nascidos e criados em cativeiro. Dois protocolos de infecção experimental foram feitos: i) seis macacos foram inoculados por via intradérmica (ID), na base da cauda com 2x10(6) formas promastigotas em fase estacionária de crescimento; ii) outros quatro macacos foram inoculados com 3x10(7) formas amastigotas de infecção visceral de hamsteres por duas vias diferentes: a) dois por via intravenosa (IV) e, b) outros dois pela via intraperitoneal (IP). A avaliação da infecção incluiu parâmetros: clínico: exame físico do abdômen, peso e temperatura corporal; b) parasitológico: aspirado de medula óssea por agulha para procura de amastigotas (esfregaço corado por Giemsa) e formas promastigotas (meio de cultura); c) imunológico: Reação de Imunofluorescência Indireta (RIFI) e, resposta de hipersensibilidade tardia (DTH). Nos seis macacos inoculados ID (formas promastigotas) todos os parâmetros de avaliação da infecção foram negativos durante o período de 12 meses. Entre os quatro macacos inoculados com formas amastigotas, dois inoculados IV mostraram parasitos na medula óssea do primeiro ao sexto mês p.i. e em seguida houve a resolução da infecção, no entanto os outros dois inoculados IP foram totalmente negativos. Esses quatro macacos apresentaram resposta específica de anticorpo IgG desde o terceiro mês p.i. (IP: 1/80 e IV: 1/320) até o décimo segundo mês (IP: 1/160 e IV: 1/5120). A conversão DTH ocorreu em apenas um macaco inoculado IV com uma forte reação na pele (30 mm). Considerando esses resultados, nós não recomendamos o uso do macaco C. apella como modelo animal para estudo da LVA.

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Referências

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Publicado

2011-02-01

Edição

Seção

Esquistossomose

Como Citar

Carneiro, L. A., Silveira, F. T., Campos, M. B., Brígido, M. do C. de O., Gomes, C. M. C., Corbett, C. E., & Laurenti, M. D. (2011). Susceptibilidade do macaco Cebus apella (Primata: Cebidae) à infecção experimental por Leishmania (L.) infantum chagasi . Revista Do Instituto De Medicina Tropical De São Paulo, 53(1), 45-50. https://revistas.usp.br/rimtsp/article/view/31373