Avaliação da Doença Renal em pacientes com Diabetes Mellitus Tipo 1 Atendidos em Ambulatório de Endocrinologia de Serviço Terciário
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.rmrp.2025.223301Palavras-chave:
Diabetes Mellitus Tipo 1, Nefropatia diabética, Saúde mentalResumo
Objetivo: Classificar de acordo com estágio de Doença Renal do Diabetes (DRD) e compará-los com aqueles sem alteração de função renal em relação ao controle metabólico e tempo de doença, qualidade de vida (QV) e prevalência de Transtornos Mentais Comuns (TMC), como ansiedade e depressão. Métodos: Os dados metabólicos foram coletados, após a aprovação do Comitê de Ética, diretamente dos prontuários médicos e a investigação da QV e de TMC’s, foi obtida através dos questionários Diabetes Quality of Life Measure (DQOL-Brasil) e Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS), respectivamente. Resultados: Foram avaliados 97 pacientes (61 sexo feminino e 36 sexo masculino), sendo que, 38 apresentaram diagnóstico de DRD. Os pacientes apresentam médias de controle metabólico de Glicemia de Jejum (GJ) 213 mg/dL e Hemoglobina Glicada (Hb1Ac) 9%. Houve relação significativa entre o tempo de diagnóstico da DM1 e a ocorrência de DRD, sendo ele maior no segundo grupo, e ainda, pacientes com maior tempo de DM1 apresentam melhor controle metabólico e taxa de filtração glomerular (TFG). A distribuição dos pacientes conforme o risco renal pela Kidney Disease Improve Global Outcomes (KDIGO) demonstra baixo risco de perda da função renal (68% baixo risco/risco intermediário) no grupo estratificado (n=31). Comparando os pacientes com e sem DRD, houve correlações significativas relacionadas ao controle de creatinina, Microalbuminúria (MAI), Hb1Ac média e TFG. Analizando os estágios da DRD, foram encontradas diferenças significativas em: creatinina, MAI após tratamento medicamentoso, GJ e TFG. Em relação à QV, pacientes com faixa etária de 18 a 25 anos demonstraram uma QV significativamente inferior em relação às preocupações sociais e vocacionais quando comparada a faixa etária de 25 a 55 anos, enquanto não houve diferenças relevantes em relação ao sexo, presença de doença renal ou estágios da doença renal diabética aos diferentes aspectos que englobam a QV. Já a respeito dos TMC’s, não houve diferenças estatísticas nos dados analisados, incluindo sexo, idades, presença de DRD ou a comparação em diferentes estágios. Conclusão: Nossos pacientes demonstraram controle laboratorial acima das metas preconizadas, e aqueles com DRD apresentaram maior tempo de DM1, além de pior controle metabólico e renal. Nos estágios avançados verificou-se que há maior predisposição à insuficiência renal crônica terminal. Não observamos maior prevalência de ansiedade e depressão em nossa amostra, porém a análise da qualidade de vida destacou o impacto negativo na saúde mental, especialmente na faixa etária de 18 a 25 anos, enfatizando a importância de abordagens multidisciplinares.
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