Dificuldades para acesso ao direito à saúde de imigrantes africanos no extremo sul do estado de Santa Catarina: um estudo qualitativo
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.rmrp.2025.224576Palavras-chave:
Equidade no acesso aos serviços de saúde, Sistema único de saúde, Acesso aos serviços de saúdeResumo
Introdução: O acesso às ações e serviços de saúde no Brasil deve ser universal, porém, há inúmeras barreiras que impedem esse direito em especial aos imigrantes negros, resultando em diferenças na concessão do cuidado recebido e, por sua vez, em desfechos de saúde piores em comparação com outras populações. Objetivo: identificar as dificuldades de acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS) pelos imigrantes negros angolanos no município de Criciúma/SC. Métodos: A pesquisa foi de abordagem qualitativa, do tipo característica exploratória descritiva. O local do estudo foi o município de Criciúma/SC e contemplou 45 estudantes imigrantes negros angolanos. A coleta de dados foi realizada por questionários via Google Forms e entrevistas semiestruturada presenciais. O processo analítico foi realizado por meio da análise temática de conteúdo. Os aspectos éticos foram respeitados e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Resultados: Os resultados foram estruturados em duas categorias e sete códigos que indicaram as dificuldades de pessoas negras imigrantes no acesso ao SUS, centralizando-se em dificuldades para o acesso à saúde representado por: demora no atendimento, dificuldade para agendar consulta, falha no cumprimento dos horários; e, em manifestação de práticas discriminatórias como: racismo, xenofobia, tratamento diferente, falta de interesse. Conclusão: as barreiras no acesso à saúde para pessoas negras imigrantes são semelhantes às enfrentadas pelos brasileiros, mas as evidências de discriminação ressaltam a urgência de repensar a maneira como oferecemos cuidado integral a essa população.
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