Carga econômica, mortalidade e incidência de internações hospitalares por doenças cerebrovasculares no Brasil de 2017 a 2022: uma perspectiva do Sistema Único de Saúde
DOI:
https://doi.org/10.11606/s15188787.2025059006781Palavras-chave:
Acidente Vascular Cerebral, COVID-19, Gastos Públicos com Saúde, Hospitalização, Mortalidade, Transtornos CerebrovascularesResumo
OBJETIVO: Analisar as hospitalizações, a mortalidade e os custos relacionados às doenças cerebrovasculares no Brasil de 2017 a 2022 e verificar o impacto da pandemia da covid-19 nesses números. MÉTODOS: Os dados foram coletados junto ao Departamento de Informática do SUS, por meio do Sistema de Informações Hospitalares e pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade. Para os dados populacionais foram consultados os censos de 2010 e as projeções intercensitárias (2017 a 2022) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Calcularam-se as taxas de mortalidade e de incidência das admissões hospitalares por doenças cerebrovasculares, por meio da divisão do número de óbitos e do número de admissões hospitalares por doenças cerebrovasculares pela população total em risco, multiplicado por 100.000 habitantes, respectivamente. Os resultados foram estratificados por grupos etários, regiões do Brasil, sexo e anos civis. As taxas foram padronizadas por idade, seguindo o método direto proposto pela Organização Mundial da Saúde. RESULTADOS: Os dados sobre mortalidade por doenças cerebrovasculares mostraram uma redução significativa em todo o Brasil, tanto no geral quanto por sexo. O Nordeste apresentou uma diminuição da mortalidade geral, principalmente feminina, enquanto a Região Sul manteve números estacionários. As taxas de internação permanecem estáveis, com aumentos notáveis em faixas etárias mais jovens (0 a 4 anos) e femininas (5 a 9 anos). Os custos de internação aumentaram significativamente em todo o país, com maior elevação no Nordeste, Norte, Sudeste e Centro-Oeste. CONCLUSÃO: Verificou-se redução nas taxas de mortalidade por doenças cerebrovasculares no Brasil, com variações regionais e por faixa etária, embora com aumento preocupante entre homens jovens. Apesar da estabilidade nas internações, os custos hospitalares aumentaram significativamente, indicando maior complexidade dos casos e reforçando a necessidade de estratégias de prevenção e controle mais eficazes.
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