Fatores associados ao custo do cuidado à crise de saúde mental infantojuvenil no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.11606/Palavras-chave:
Saúde Mental, Custos e Análise de Custo, Criança, Adolescente, Intervenção em CriseResumo
OBJETIVO: Identificar as variáveis sociodemográficas e clínicas que influenciaram os custos diários de crianças e adolescentes que ficaram em acolhimento noturno em Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenis tipo III ou em internação na referência hospitalar ou de emergência e urgência na perspectiva da sociedade no ano de 2023. MÉTODOS: Trata-se de uma análise de custos retrospectiva. Foram coletados os custos diretos e indiretos. Para mensuração dos custos, foi empregada técnica mista, priorizando a abordagem de microcusteio e, para valoração, o método bottom-up. Fatores que influenciaram os custos foram avaliados com modelos estatísticos univariados. RESULTADOS: O estudo incluiu 399 usuários. O custo médio total foi de R$ 6.704,38 (US$ 1.149,99) e o custo médio diário foi de R$ 1.097,97 (US$ 188,33). Houve significância estatística na correlação entre custo diário e idade, raça, subgrupo diagnóstico, encaminhamento para o serviço de atendimento e motivo de busca por cuidado. A variável com maior variação positiva no custo diário foi buscar o serviço por uso de drogas (R$ 125,82; US$ 21,58), enquanto a com maior variação negativa no custo diário foi ter sido encaminhado por outro serviço (R$ 139,86; US$ 23,99). CONCLUSÕES: A fim de usar de forma mais eficiente os recursos disponíveis, cabe à rede de cuidados em saúde mental infantojuvenil investir no cuidado precoce de crianças e adolescentes, especialmente os mais vulnerabilizados e que possam ter problemas com o uso de drogas, além de incentivar cada vez mais a articulação entre serviços.
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