Perfil de ambulantes de alimentos e bebidas no entorno de escolas privadas do Brasil

Autores

  • Sabrina Gomes Ferreira Clark Universidade Federal de Pernambuco image/svg+xml
  • Larissa Loures Mendes Universidade Federal de Minas Gerais image/svg+xml
  • Juliana Souza Oliveira Universidade Federal de Pernambuco image/svg+xml
  • Luiza Delazari Borges Universidade Federal de Pernambuco image/svg+xml
  • Letícia Ferreira Tavares Universidade Federal do Rio de Janeiro image/svg+xml
  • Paulo César Pereira de Castro Júnior Universidade Federal do Rio de Janeiro image/svg+xml
  • Letícia de Oliveira Cardoso Fundação Oswaldo Cruz image/svg+xml
  • Raquel Canuto Universidade Federal do Rio Grande do Sul image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.11606/

Palavras-chave:

Alimentos Ultraprocessados, Ambiente Alimentar, Escolas, Saúde Pública, Setor Informal

Resumo

OBJETIVO: Descrever o perfil socioeconômico e de atuação dos ambulantes, bem como o perfil de comercialização de alimentos, segundo o processamento industrial, no entorno de escolas privadas nas capitais brasileiras. MÉTODOS: Estudo transversal com ambulantes no entorno imediato de uma amostra probabilística nacional de escolas privadas brasileiras. Foram incluídas escolas de ensino fundamental e/ou médio, participantes do Estudo Comercialização de Alimentos em Escolas Brasileiras. Aplicou-se questionário previamente validado para caracterizar trabalhador, infraestrutura e disponibilidade de alimentos. Os alimentos foram classificados segundo o sistema NOVA. Comparações entre macrorregiões (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul) e portes de ponto de venda (menor: 1–3 itens; intermediário: 4–13 itens; maior:  ≥ 14 itens) foram avaliadas pelo teste de Kruskal–Wallis. RESULTADOS: Foi mapeado o comércio informal de alimentos e bebidas no entorno imediato de 2.180 escolas privadas, totalizando 699 ambulantes. Predominaram homens (57,8%), pessoas negras (68,8%), com ensino médio completo (35,8%) e que subsistiam da informalidade (91,4%), em carrinhos e barracas, por falta de oportunidade no mercado formal (52,5%). A mediana de itens ultraprocessados superou em cerca de duas vezes a de alimentos in natura, minimamente processados ou processados e preparações baseadas neles (2,17; IC95% 1,90–2,45). Pontos comerciais de porte maior concentraram mais ultraprocessados em todas as regiões, exceto no Nordeste, onde essa predominância já ocorria no porte intermediário (3,32; IC95% 2,88–3,75). A menor razão de ultraprocessados foi observada no Sul (0,21; IC95% 0,05–0,37) e a maior,  no Nordeste (3,32; IC95% 2,88–3,75). CONCLUSÃO: O comércio ambulante no entorno de escolas privadas brasileiras reflete desigualdades estruturais e expande-se comercialmente na oferta de ultraprocessados para crianças e adolescentes. Recomenda-se sua inclusão como componente indissociável na avaliação do ambiente alimentar escolar, para subsidiar políticas que conciliam geração de renda e promoção da alimentação saudável.

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Publicado

2026-04-22

Edição

Seção

Artigos Originais

Dados de financiamento

Como Citar

Clark, S. G. F., Mendes, L. L., Oliveira, J. S., Borges, L. D., Tavares, L. F., Castro Júnior, P. C. P. de, Cardoso, L. de O., & Canuto, R. (2026). Perfil de ambulantes de alimentos e bebidas no entorno de escolas privadas do Brasil. Revista De Saúde Pública, 60, e248232. https://doi.org/10.11606/