Perfil de ambulantes de alimentos e bebidas no entorno de escolas privadas do Brasil
DOI:
https://doi.org/10.11606/Palavras-chave:
Alimentos Ultraprocessados, Ambiente Alimentar, Escolas, Saúde Pública, Setor InformalResumo
OBJETIVO: Descrever o perfil socioeconômico e de atuação dos ambulantes, bem como o perfil de comercialização de alimentos, segundo o processamento industrial, no entorno de escolas privadas nas capitais brasileiras. MÉTODOS: Estudo transversal com ambulantes no entorno imediato de uma amostra probabilística nacional de escolas privadas brasileiras. Foram incluídas escolas de ensino fundamental e/ou médio, participantes do Estudo Comercialização de Alimentos em Escolas Brasileiras. Aplicou-se questionário previamente validado para caracterizar trabalhador, infraestrutura e disponibilidade de alimentos. Os alimentos foram classificados segundo o sistema NOVA. Comparações entre macrorregiões (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul) e portes de ponto de venda (menor: 1–3 itens; intermediário: 4–13 itens; maior: ≥ 14 itens) foram avaliadas pelo teste de Kruskal–Wallis. RESULTADOS: Foi mapeado o comércio informal de alimentos e bebidas no entorno imediato de 2.180 escolas privadas, totalizando 699 ambulantes. Predominaram homens (57,8%), pessoas negras (68,8%), com ensino médio completo (35,8%) e que subsistiam da informalidade (91,4%), em carrinhos e barracas, por falta de oportunidade no mercado formal (52,5%). A mediana de itens ultraprocessados superou em cerca de duas vezes a de alimentos in natura, minimamente processados ou processados e preparações baseadas neles (2,17; IC95% 1,90–2,45). Pontos comerciais de porte maior concentraram mais ultraprocessados em todas as regiões, exceto no Nordeste, onde essa predominância já ocorria no porte intermediário (3,32; IC95% 2,88–3,75). A menor razão de ultraprocessados foi observada no Sul (0,21; IC95% 0,05–0,37) e a maior, no Nordeste (3,32; IC95% 2,88–3,75). CONCLUSÃO: O comércio ambulante no entorno de escolas privadas brasileiras reflete desigualdades estruturais e expande-se comercialmente na oferta de ultraprocessados para crianças e adolescentes. Recomenda-se sua inclusão como componente indissociável na avaliação do ambiente alimentar escolar, para subsidiar políticas que conciliam geração de renda e promoção da alimentação saudável.
Referências
1. Food and Agriculture Organization. School food and nutrition framework. Rome: FAO; 2019 [citado 2025 jul 16]. Disponível em: https://openknowledge.fao.org/items/679d1e4a-a5e0-4eba9758-e76dd7cf376b
2. Downs SM, Ahmed S, Fanzo J, Herforth A. Food environment typology: Advancing an expanded definition, framework, and methodological approach for improved characterization of wild, cultivated, and built food environments toward sustainable diets. Foods. 2020;9(4):532. https://doi.org/10.3390/foods9040532
3. Steyn NP, Mchiza Z, Hill J, Davids YD, Venter I, Hinrichsen E, et al. Nutritional contribution of street foods to the diet of people in developing countries: a systematic review. Public Health Nutr. 2014;17(6):1363-1374. https://doi.org/10.1017/S1368980013001158
4. França FCO, Zandonadi RP, Santana IAS, Silva ICR, Akutsu RCCA. Food and Consumers’ Environment Inside and around Federal Public Schools in Bahia, Brazil. Nutrients. 2024;16(2):1-15. https://doi.org/10.3390/nu16020201
5. Medina C, Piña-Pozas M, Aburto TC, Chavira J, López U, Moreno M, et al. Systematic literature review of instruments that measure the healthfulness of food and beverages sold in informal food outlets. Int J Behav Nutr Phys Act. 2022;19(89):1-14. https://doi.org/10.1186/s12966-022-01320-1
6. Barrera LH, Rothenberg SJ, Barquera S, Cifuentes E. The toxic food environment around elementary schools and childhood obesity in Mexican cities. Am J Prev Med. 2016;51(2):264-270. https://doi.org/10.1016/j.amepre.2016.02.021
7. Henriques P, Alvarenga CRT, Ferreira DM, Dias PC, Soares DSB, Barbosa RMS, et al. Food environment surrounding public and private schools: An opportunity or challenge for healthy eating? Cien Saude Colet. 2021;26(8):3135-3145. https://doi.org/10.1590/1413-81232021268.04672020
8. Secco AC, Kovaleski DF. Do empreendedor de si mesmo à medicalização da performance: reflexões sobre a flexibilização no mundo do trabalho. Cien Saude Colet. 2022;27(5):1911-1918. https://doi.org/10.1590/1413-81232022275.09572021
9. Bellia C, Bacarella S, Ingrassia M. Interactions between street food and food safety topics in the scientific literature: a bibliometric analysis with science mapping. Foods. 2022;11(6):789. https://doi.org/10.3390/foods11060789
10. Contreras CPA, Cardoso RCV, Silva LNN, Cuello REG. Street food, food safety, and regulation: What is the Panorama in Colombia?: A review. J Food Prot. 2020;83(8):1345-1358. https://doi.org/10.4315/JFP-19-526
11. Canuto R, Clark SGF, Borges LD, Castro Junior PCP, Tavares LF, Cardoso LO, et al. Aspectos metodológicos do estudo Comercialização de Alimentos em Escolas Brasileiras. Cad Saude Publica. 2025;41(5):e00167624. https://doi.org/10.1590/0102-311XPT167624
12. Tavares LF, Perez PMP, Passos MEA, Castro Junior PCP, Franco AS, Cardoso LO, Castro IRR. Development and application of healthiness indicators for commercial establishments that sell foods for immediate consumption. Foods. 2021;10(6):1434. https://doi.org/10.3390/foods10061434
13. Ambikapathi R, Shively G, Leyna G, Mosha D, Mangara A, Patl CL, et al. Informal food environment is associated with household vegetable purchase patterns and dietary intake in the DECIDE study: Empirical evidence from food vendor mapping in peri-urban Dar es Salaam, Tanzania. Glob Food Sec. 2021;28:100474. https://doi.org/10.1016/j.gfs.2020.100474
14. Peimani N, Kamalipour H. Informal street vending: a systematic review. Land (Basel). 2022;11(6):829. https://doi.org/10.3390/land11060829
15. Anaafo D, Nutsugbodo RY, Agyepong E, Anane GK, Mensah BA, Bata PD. Place making decisions among informal street food vendors in Sunyani, Ghana. Cities. 2024;154:105328. https://doi.org/10.1016/j.cities.2024.105328
16. Alves LD. A divisão racial do trabalho como um ordenamento do racismo estrutural. Rev Katálysis. 2022;25(2):212-21. https://doi.org/10.1590/1982-0259.2022.e84641
17. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo demográfico 2022: características da população e dos domicílios. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; 2025 [citado 2025 jul 16]. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/ liv102192.pdf
18. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; 2022 [citado 2025 jul 16]. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/ livros/liv101979.pdf
19. Santos KOB, Fernandes RCP, Almeida MMC, Miranda SS, Mise YF, Lima MAG. Labor, health and vulnerability in the COVID-19 pandemic. Cad Saude Publica. 2021;36(12):e00178320. https://doi.org/10.1590/0102-311X00178320
20. Engidaw AE, Ning J, Kebad MA, Mulaw SG, MandefroTA, WondaTA, et al. Determining the push factors to involve in street vending activities and their challenges: in the case of Ethiopia. J Innov Entrep. 2024;13(42):1-21. https://doi.org/10.1186/s13731-024-00397-1
21. Chavez JBR, Bruening M, Ohri-Vachaspati P, Lee RE, Jehn M. Street food stand availability, density, and distribution across income levels in mexico city. Int J Environ Res Public Health. 2021;18(8):1-17. https://doi.org/10.3390/ijerph18083953
22. Cintra P, Góis EM, Brunharo MSM, Moreira DOS. Boas práticas de manipulação no comércio ambulante de alimentos em campus universitário da Grande Dourados, MS. Higi Aliment. 2017;31(266/267):27-30.
23. Cortese RDM, Veiros MB, Feldman C, Cavalli SB. Food safety and hygiene practices of vendors during the chain of street food production in Florianopolis, Brazil: a cross-sectional study. Food Control. 2016;62:178-186. https://doi.org/10.1016/j.foodcont.2015.10.027
24. Kelly C, Callaghan M, Gabhainn SN. ‘It’s hard to make good choices and it costs more’: adolescents’ perception of the external school food environment. Nutrients. 2021;13(4):1043. https://doi.org/10.3390/nu13041043
25. Kurihayashi AY, Palombo CNT, Duarte LS, Fujimori E. Food commercialization in schools: analysis of the regulatory process in Brazil. Rev Nutr. 2022;35:e210094. https://doi.org/10.1590/1678-9865202235E210094
26. Cuvi J. The politics of field destruction and the survival of São Paulo’s street vendors. Soc Probl. 2016;63(3):395-412. https://doi.org/10.1093/socpro/spw013
27. Louzada MLC, Cruz GL, Silva KAAN, Grassi AGF, Andrade GC, Rauber F, et al. Consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil: distribuição e evolução temporal 2008–2018. Rev Saude Publica. 2023;57:12. https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2023057004744
28. Neri MC. Mapa da riqueza no Brasil. FGV Social; 2023 [citado 2025 jul 16]. Disponível em: https://cps.fgv.br/riqueza
29. Baker P, Machado P, Santos T, Sievert K, Backholer K, Hadjikakou M, et al. Ultra-processed foods and the nutrition transition: global, regional and national trends, food systems transformations and political economy drivers. Obes Rev. 2020;21(12):e13126. https://doi.org/10.1111/obr.13126
30. Reznar MM, Brennecke K, Eathorne J, Gittelsohn J. A cross-sectional description of mobile food vendors and the foods they serve: potential partners in delivering healthier food-away-from-home choices. BMC Public Health. 2019;19(1):744. https://doi.org/10.1186/s12889-019-7075-8
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Sabrina Gomes Ferreira Clark, Larissa Loures Mendes, Juliana Souza Oliveira, Luiza Delazari Borges, Letícia Ferreira Tavares, Paulo César Pereira de Castro Júnior, Letícia de Oliveira Cardoso, Raquel Canuto

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Dados de financiamento
-
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Números do Financiamento 001 -
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
Números do Financiamento processo 442851/2019-7