Ambiente alimentar no Brasil: desertos e pântanos em grandes cidades urbanas
DOI:
https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2026060007379Palavras-chave:
Ambiente Alimentar, Políticas Públicas, Segurança Alimentar, Saúde PúblicaResumo
OBJETIVO: Avaliar a disponibilidade de estabelecimentos saudáveis e não saudáveis no Brasil e, com isso, mapear desertos e pântanos alimentares. Analisar os mapas de desertos e pântanos de forma integrada a indicadores de desigualdade social. MÉTODOS: Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS, 2022), integrados aos perfis de consumo da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF, 2017–2018), foram utilizados para classificar os estabelecimentos segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira. Em escala municipal, estimou-se a densidade de estabelecimentos com perfil saudável e não saudável para os municípios brasileiros. Em escala intramunicipal, foram identificados desertos e pântanos em municípios urbanos com mais de 300 mil habitantes, cruzando os resultados com indicadores de renda do Cadastro Único. RESULTADOS: Em nível municipal, observou-se que as regiões Norte e Nordeste concentram a maioria dos municípios com baixa densidade de estabelecimentos saudáveis, enquanto Sul e Sudeste apresentam maiores densidades de estabelecimentos não saudáveis. Em escala intramunicipal, cerca de 25 milhões de pessoas residem em desertos alimentares, o que corresponde a 32,3% da população dos 91 municípios analisados e, aproximadamente, 15 milhões vivem em pântanos alimentares (19% da população). Entre os indivíduos do Cadastro Único com renda per capita inferior a meio salário-mínimo, 38% vivem em desertos alimentares e 10% em pântanos. CONCLUSÃO: Os resultados evidenciam a sobreposição entre vulnerabilidade socioeconômica e ambientes alimentares adversos, reforçando a urgência de políticas públicas voltadas à regulação do ambiente alimentar, ao fortalecimento de equipamentos públicos de abastecimento e à promoção da equidade territorial no acesso a alimentos saudáveis.
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