Perfil de óbitos e causas da mortalidade de migrantes internacionais no Brasil, 2011–2022
DOI:
https://doi.org/10.11606/s15188787.2025059006519Palavras-chave:
Migrantes, Mortalidade, Epidemiologia, Saúde Global, BrasilResumo
OBJETIVO: Descrever o perfil de óbitos e analisar as causas da mortalidade em migrantes internacionais residentes no Brasil entre 2011 e 2022. MÉTODOS: Estudos transversal descritivo e ecológico com dados secundários. Foi analisado o perfil sociodemográfico dos óbitos ocorridos entre 2011 e 2022, e apresentadas as frequências absolutas, relativas e o coeficiente de mortalidade por 100 mil habitantes por país de nascimento, macrorregião e unidade federada de residência. Também foram analisadas as causas da mortalidade. RESULTADOS: Registraram-se 173.807 óbitos de migrantes internacionais entre 2011 e 2022, a maioria em 2021 (17.779; 10,2%). O perfil de óbitos predominante foi de homens (97.053; 55,8%), faixa-etária ≥ 81 anos (104.308; 60,0%), raça/cor da pele branca (136.835; 78,7%) e viúvos (72.156; 41,5%). A maioria dos migrantes falecidos nasceram em Portugal (64.909; 37,3%), Japão (22.748; 13,1%), Itália (16.178; 9,3%) e Espanha (12.835; 7,3%). Os maiores coeficientes de mortalidade foram de migrantes nascidos na Lituânia (190.079/100.000), Sérvia (146.794/100.000) e Hungria (96.395/100.000). As macrorregiões Sudeste (137.457; 79,1%) e Sul (18.603; 10,7%) do Brasil concentraram a maioria dos óbitos, com maiores coeficientes de mortalidade nos estados do Rio de Janeiro (25.349/100.000), São Paulo (23.574/100.000) e Mato Grosso do Sul (18.683/100.000). A pandemia de covid-19 aumentou os óbitos por doenças infecciosas e parasitárias a partir de 2020, tendo pico em 2021 (4.460; 25,0% dos óbitos do ano). A causa básica mais frequente no período foi infarto agudo do miocárdio não especificado (12.141; 7,0%). CONCLUSÃO: Este estudo evidenciou a necessidade de ações de saúde direcionadas para os perfis de migrantes internacionais com maior risco de morrer e por causas de óbitos; porém, a invisibilidade dessa população nos indicadores de saúde pública, de forma geral, dificulta a implementação de estratégias eficazes. Políticas que garantam acesso equitativo a serviços de saúde, medicamentos e vacinas são essenciais para melhorar a saúde dessa população a longo prazo.
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