Acesso aos serviços de atenção ao parto no interior de Pernambuco, Nordeste do Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2023057004335

Palavras-chave:

Qualidade, Acesso e Avaliação da Assistência à Saúde, Barreiras ao Acesso aos Cuidados de Saúde, Estudos Ecológicos, Serviços de Saúde Materno-Infantil, provisão & distribuição

Resumo

OBJETIVO: Analisar o acesso de mulheres atendidas na rede pública aos serviços de atenção ao parto, destacando-se as barreiras relacionadas à dimensão “disponibilidade e acomodação” em uma macrorregião de saúde de Pernambuco. MÉTODOS: Estudo ecológico, realizado a partir dos registros de partos hospitalares do Sistema de Informação Hospitalar e de informações da Central de Regulação de Leitos do estado sobre mulheres residentes na macrorregião de saúde II, em 2018. Analisou-se os deslocamentos, considerando a distância geográfica entre o município de residência e o de ocorrência do parto, o tempo estimado do deslocamento das gestantes, a proporção de plantões bloqueados para admissão das gestantes para o parto e o motivo da indisponibilidade. RESULTADOS: Em 2018, a macrorregião de saúde II realizou 84% dos partos de risco habitual e 46,9% de alto risco. Os demais partos de alto risco (51,1%) ocorreram na macrorregião I, sobretudo no Recife. A maternidade de referência para partos de alto risco dessa macrorregião teve 30,4% dos dias de plantões diurnos bloqueados para admissão de partos e 38,9% dos noturnos; o principal motivo foi a dificuldade em manter a equipe completa no serviço. CONCLUSÕES: Mulheres residentes na macrorregião de saúde II de Pernambuco enfrentam grandes barreiras de acesso em busca de atendimento hospitalar para o parto, percorrendo grandes distâncias, mesmo quando gestantes de risco habitual, levando à peregrinação em busca dessa assistência. Há dificuldade de disponibilidade e acomodação nos serviços de alto risco e de emergências obstétricas, com insuficiente capacidade física e de recursos humanos. A rede de atenção obstétrica na macrorregião II de Pernambuco não está estruturada para garantir um acesso equânime à assistência das gestantes no momento do parto, o que evidencia a necessidade de sua reestruturação em aproximação ao preconizado pela Rede Cegonha.

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Publicado

2023-03-15

Edição

Seção

Artigos Originais

Dados de financiamento

Como Citar

Leite, R. M. B. ., Araújo, T. V. B. de, Silva, M. R. F. da ., Mendes, A. da C. G. ., & Albuquerque, M. do S. V. de . (2023). Acesso aos serviços de atenção ao parto no interior de Pernambuco, Nordeste do Brasil. Revista De Saúde Pública, 57(1), 7. https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2023057004335