Cobertura do tratamento da esclerose múltipla: análise baseada em indicadores de desigualdade

Autores

  • Gabriela Bittencourt Gonzalez Mosegui Universidade Federal Fluminense image/svg+xml
  • Cid Manso de Mello Vianna Universidade do Estado do Rio de Janeiro image/svg+xml
  • Fernando Antoñanzas Universidad de La Rioja image/svg+xml
  • Fabiano Saldanha Gomes de Oliveira Universidade do Estado do Rio de Janeiro image/svg+xml
  • Deison Alencar Lucietto Universidade Federal Fluminense image/svg+xml
  • Marcus Paulo da Silva Rodrigues Universidade Federal Fluminense image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2026060007156

Palavras-chave:

Equidade em Saúde, Assistência Farmacêutica, Esclerose Múltipla

Resumo

OBJETIVO: Avaliar as desigualdades territoriais na cobertura do tratamento farmacológico de primeira linha para esclerose múltipla remitente-recorrente no Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro em 2024, analisando a distribuição regional da cobertura, consumo e gastos,  e quantificando desigualdades socioeconômicas por meio dos indicadores Slope Index of Inequality (SII) e Relative Index of Inequality (RII). MÉTODOS: Estudo observacional baseado em dados administrativos do SUS, integrando informações de Autorizações de Procedimentos Ambulatoriais e estimativas epidemiológicas para calcular o consumo em doses diárias definidas e gastos per capita com medicamentos modificadores do curso da doença. O Índice de Desenvolvimento Humano estadual foi utilizado como proxy socioeconômica para o cálculo dos indicadores SII e RII, que quantificam desigualdades absolutas e relativas. RESULTADOS: Em 2024, apenas 35,3% dos pacientes elegíveis receberam tratamento, com cobertura variando entre regiões (50,9% no Centro-Oeste e 34,3% no Nordeste). O SII (0,2082) e o RII (2,58) para PT/PATSUS indicaram forte desigualdade socioeconômica na cobertura. Para gastos per capita, não se observou gradiente socioeconômico consistente (SII = -99,18; RII = 0,96). O consumo em doses diárias definidas apresentou desigualdade significativa  (SII = 61,65; RII = 2,50), refletindo maior intensidade terapêutica em estados com maior Índice de Desenvolvimento Humano. CONCLUSÕES: O estudo evidencia limitações importantes na cobertura e equidade do tratamento de esclerose múltipla remitente-recorrente no SUS, com desigualdades estruturais associadas à posição socioeconômica regional. O uso integrado de indicadores administrativos e métricas de desigualdade (SII e RII) oferece subsídios para intervenções políticas focadas em justiça distributiva e sustentabilidade do sistema público de saúde.

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Publicado

2026-01-26

Edição

Seção

Artigos Originais

Dados de financiamento

Como Citar

Mosegui, G. B. G., Vianna, C. M. de M., Antoñanzas, F., Oliveira, F. S. G. de, Lucietto, D. A., & Rodrigues, M. P. da S. (2026). Cobertura do tratamento da esclerose múltipla: análise baseada em indicadores de desigualdade. Revista De Saúde Pública, 60, 4. https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2026060007156