Desfechos maternos e perinatais em adolescentes e mulheres com idade materna avançada
DOI:
https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2025059006538Palavras-chave:
Idade Materna, Gravidez na Adolescência, Complicações na Gravidez, Resultado da Gravidez, Recé-Nascido PrematuroResumo
OBJETIVO: Analisar a associação entre extremos etários e desfechos maternos e perinatais em nascimentos ocorridos no estado do Rio de Janeiro, Brasil.
MÉTODOS: Este estudo utilizou dados do projeto Nascer no Brasil II: Pesquisa Nacional Sobre Aborto, Parto e Nascimento (2021–2023). Foram incluídas 1.734 puérperas com recém-nascidos vivos ou natimortos, entrevistadas no pós-parto imediato. Informações foram obtidas por meio de entrevistas, prontuários clínicos e cartões de pré-natal. A análise empregou regressão logística múltipla para avaliar associações entre idade materna e desfechos, tendo como referência mulheres de 20–34 anos.
RESULTADOS: Parto em adolescentes representou 10,1% das participantes, enquanto mulheres com idade materna avançada (IMA ≥ 35 anos) corresponderam a 18,0%. As adolescentes tiveram menor probabilidade de receber orientação para maternidade de referência (odds ratio — OR = 0,68) e de contar com acompanhante constante (OR = 0,77) e apresentaram menor prevalência de diabetes gestacional (OR = 0,26). Já mulheres com idade materna avançada foram mais frequentemente orientadas para maternidades de referência (OR = 1,46) e apresentaram maior risco de síndromes hipertensivas (OR = 1,78), diabetes gestacional (OR = 1,87), descolamento prematuro de placenta (OR = 3,30) e morbidade materna grave (OR = 1,84). Nos desfechos perinatais, adolescentes tiveram maior risco de óbito perinatal (OR = 4,52) e parto espontâneo a termo precoce (OR = 1,47), contudo menor probabilidade de termo precoce por intervenção obstétrica (OR = 0,48). Recém-nascidos de mulheres com idade materna avançada apresentaram maior risco de Apgar < 7 no quinto minuto (OR = 3,05) e menor chance de sífilis congênita (OR = 0,34).
CONCLUSÃO: Adolescentes receberam pior assistência em relação às adultas, enquanto as mulheres com idade materna avançada apresentam maior frequência de complicações relacionadas à idade. Esses resultados destacam a necessidade de atenção diferenciada, especialmente diante do aumento de partos em mulheres com idade avançada.
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