Gastos diretos das famílias com a saúde infantil durante recessão econômica no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.11606/s15188787.2025059006388Palavras-chave:
Gastos com Saúde, Crianças, Recessão Econômica, Economia da SaúdeResumo
OBJETIVO: Investigar a associação entre a recessão econômica no Brasil de 2014 a 2016 e os gastos diretos das famílias com a saúde das crianças, ao longo da distribuição desses gastos. MÉTODOS: Utilizando bases de dados longitudinais que acompanharam crianças nascidas em Pelotas (RS) nos anos de 2004 e 2015, foram realizadas estimativas por meio de um modelo Double-Hurdle, o qual fornece um resultado sobre a probabilidade de ser realizado gasto e outro sobre o valor esperado desses gastos quando ocorrerem. RESULTADOS: Os resultados apontaram que a recessão econômica durante esse período reduziu em 34% a chance de ocorrência de gasto com saúde, exceto plano de saúde, para crianças de 12 meses, enquanto diminui essa chance em 29% para as crianças de 24 meses. Em relação aos gastos com plano de saúde, a recessão econômica reduziu em 37% a chance de ocorrência entre crianças de 12 meses, e em expressivos 68% entre crianças de 24 meses. Quanto ao montante do gasto, dado que algum dispêndio fora realizado, a recessão econômica está associada a um valor esperado 15% maior nos gastos totais exceto plano de saúde, e 9% menor nos gastos com plano de saúde para crianças de 12 meses. CONCLUSÕES: Deste modo, o gasto total em saúde, exceto com plano de saúde, apresentou probabilidade menor de ocorrência durante período de recessão econômica, contudo, com valor esperado superior quando realizado. Por sua vez, o gasto com plano de saúde se mostrou menor nas duas análises, corroborando seu caráter preventivo.
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