Adoção de comportamentos preventivos à Covid-19 na comunidade: Salvador e Rio de Janeiro
DOI:
https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2026060006406Palavras-chave:
Covid-19, Comportamento, Prevenção de Doenças, PandemiasResumo
OBJETIVO: Descrever a prevalência da adoção de comportamentos preventivos à Covid-19 e avaliar os fatores associados entre usuários de unidades de saúde em Salvador e no Rio de Janeiro. MÉTODOS: Estudo transversal, realizado entre julho de 2022 e julho de 2023. A adoção de comportamentos preventivos foi avaliada com base em oito comportamentos, agrupados nos desfechos: distanciamento social; etiqueta respiratória; barreira por máscara; higienização das mãos; características sociodemográficas, habitacionais, estruturais e percepções individuais. Todas as análises foram estratificadas pelo sítio do estudo. Análises bivariadas e múltiplas foram feitas por regressão de Poisson com variância robusta. RESULTADOS: Foram avaliados 5.476 participantes de Salvador e 1.940 do Rio de Janeiro. Os comportamentos preventivos mais prevalentes foram a etiqueta respiratória (82,7 e 84,3%) e a higienização das mãos (84,9 e 79,1%), respectivamente. Em Salvador, a idade permaneceu associada a todos os comportamentos avaliados. No Rio de Janeiro, a adoção dos comportamentos preventivos aumentou entre os que utilizaram o reforço da vacina de Covid-19. Em ambas as cidades, indivíduos com idades entre 40 e 59, com 60 anos ou mais e aqueles que não trabalhavam apresentaram maior adesão ao distanciamento social. A prática da etiqueta respiratória foi mais prevalente entre mulheres, pessoas com ensino médio e que receberam reforço vacinal para Covid-19. O uso de máscara e a higienização das mãos estiveram associados ao sexo feminino, à maior idade e ao reforço vacinal nas duas localidades. O uso de máscara também foi mais frequente entre os que se vacinaram contra influenza, enquanto a higienização das mãos mostrou associação com maior escolaridade. CONCLUSÕES: Esses achados reforçam a importância de políticas públicas que influenciem na manutenção dos comportamentos preventivos e na sensibilização da prevenção de novas epidemias, especialmente entre homens, pessoas mais jovens, com menor escolaridade e que não utilizam as vacinas oferecidas ou as suas doses de reforço.
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