Fatores associados ao recebimento de aposentadorias entre adultos mais velhos

ELSI-Brasil

Autores

  • Eli Iola Gurgel Andrade Universidade Federal de Minas Gerais. Faculdade de Medicina. Departamento de Medicina Preventiva e Social
  • Mariângela Leal Cherchiglia Universidade Federal de Minas Gerais. Faculdade de Medicina. Departamento de Medicina Preventiva e Social
  • Paulo Roberto Borges de Souza Junior Fundação Oswaldo Cruz. Instituto de Informação e Comunicação Científica e Tecnológica
  • Fabíola Bof de Andrade Fundação Oswaldo Cruz. Instituto René Rachou. Núcleo de Estudos em Saúde Pública e Envelhecimento
  • Juliana Vaz de Melo Mambrini Fundação Oswaldo Cruz. Instituto René Rachou. Núcleo de Estudos em Saúde Pública e Envelhecimento
  • Maria Fernanda Lima-Costa Fundação Oswaldo Cruz. Instituto René Rachou. Núcleo de Estudos em Saúde Pública e Envelhecimento

DOI:

https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2018052000665

Palavras-chave:

Idoso, Aposentadoria, Pensões, Nível de Saúde, Fatores Socioeconômicos, Inquéritos Epidemiológicos

Resumo

OBJETIVO: Descrever a prevalência do recebimento de aposentadorias e pensões e analisar seus fatores associados em amostra nacional da população com 50 anos ou mais. MÉTODOS: Foram utilizados dados de 9.130 participantes da linha de base do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil). O desfecho foi o recebimento do benefício por qualquer fonte. As variáveis exploratórias incluíram: idade, sexo, residência por região e zona urbana ou rural, arranjos domiciliares, escolaridade, bens domiciliares, suficiência da renda, idade em que começou a trabalhar, número de doenças crônicas e limitação funcional. As regressões de Poisson e logística binária foram utilizadas nas análises. RESULTADOS: A prevalência do recebimento do benefício foi de 54,3%. Na análise multivariada, os seguintes fatores apresentaram associações significantes (p < 0,05) com o recebimento do benefício: idade [razão de prevalência (RP) = 2,59 e 3,24 para 60–69 e 70 anos], residência rural (RP = 1,23), residência no Nordeste, Sul e Sudeste em comparação ao Norte (RP variando entre 1,18 e 1,23), arranjos domiciliares (RP = 1,07 e 1,15 para morar com uma pessoa e para morar só), percepção da suficiência da renda (RP = 1,08 e 1,15 para às vezes e sempre suficiente), ter doenças crônicas (RP = 1,09 e 1,17 para 1 e ≥ 2) e limitação funcional (RP = 1,13). Associação negativa foi observada para escolaridade igual a 5–8 anos (RP = 0,88). O recebimento do benefício não foi associado com a idade em que começou a trabalhar. Participantes mais jovens (50–59 anos) com ≥ 2 doenças crônicas ou limitação funcional foram 31% e 63% mais propensos a receber o benefício. Com o aumento da idade, a força dessas associações diminuiu. CONCLUSÕES: Os resultados sugerem que as condições de saúde são importantes determinantes da aposentadoria ou pensão precoce. As discussões para aumentar a idade da aposentadoria não podem ser separadas daquelas acerca de melhorias das condições de saúde da população brasileira.

Publicado

2019-01-29

Edição

Seção

Artigos Originais

Como Citar

Andrade, E. I. G., Cherchiglia, M. L., Souza Junior, P. R. B. de, Andrade, F. B. de, Mambrini, J. V. de M., & Lima-Costa, M. F. (2019). Fatores associados ao recebimento de aposentadorias entre adultos mais velhos: ELSI-Brasil. Revista De Saúde Pública, 52(Suppl 2), 15s. https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2018052000665