O próximo corte: ferida e cuidado na arte da performance

Autores

  • Renan Marcondes Cevales Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2238-3867.v24i3p203-223

Palavras-chave:

pele, corte, arte da performance, violência

Resumo

O artigo analisa as performances Justo en el centro, de Maria Jose Arjona, e Symbebekos, de Juliana Notari, nas quais as artistas se colocam em relação com objetos cortantes como navalhas e cacos de vidro. Em diálogo com o filósofo Jean-Luc Nancy, discute-se a pele como zona de proteção e exposição do corpo para, a partir disso, debater como as obras apresentam ao mesmo tempo imagens violentas e ações de cuidado, entendendo dessa forma o risco do corte como algo inevitável e contingente ao próprio ato de cuidar de si. 

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Biografia do Autor

  • Renan Marcondes Cevales, Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

    Pós-doutoramento no departamento de filosofia da FFLCH na Universidade de São Paulo (USP). Doutorado em Artes Cênicas pela USP. Mestre em Poéticas Visuais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Especialista em História da Arte pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo.

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Publicado

2025-11-10

Edição

Seção

ARTIGOS

Como Citar

Cevales, R. M. (2025). O próximo corte: ferida e cuidado na arte da performance. Sala Preta, 24(3), 203-223. https://doi.org/10.11606/issn.2238-3867.v24i3p203-223