A invenção da teatralidade
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2238-3867.v13i1p56-70Keywords:
Teatro, Teoria, ContemporâneoAbstract
No início de Da arte do teatro[i], o Diretor, que acaba de conduzir o Amador de Teatro ao espaço teatral para que perceba seu “mecanismo” (“construção geral, cena, maquinaria dos cenários, equipamentos de luz e todo o resto”), pede a seu convidado para se sentar por “um instante na plateia” e se interrogar a respeito de “o que é a Arte do Teatro” ... A lição merece ser compreendida: jamais se deveria abordar a mínima questão de estética teatral sem se colocar, mesmo que mentalmente, diante da cena. Antes de refletir sobre o teatro é importante constatar que esse palco estreito – mas destinado a servir de pedestal a um universo – quando em repouso parece um deserto. Em outros tempos a cortina vermelha permitia que se dissimulasse esse vazio ao olhar dos espectadores; ela estava ali para dar passagem às miragens construídas nos bastidores. Hoje, a cortina de ferro, puramente funcional, interpõe-se entre o público e os artistas no início da representação apenas para sublinhar melhor essa lacuna, esse vazio da cena moderna. Atrás da cortina de veludo, nossos antepassados puderam pressentir a abundância e a plenitude de um teatro baseado na ilusão. No presente, mal a cortina de ferro acaba de se elevar e já sabemos que esse cenário, essa cenografia, jamais poderão preencher o vazio da cena nem nos preencher – a nós, o público – com o benefício de suas aparências. A própria cena, especialmente a mais preenchida, continua vazia; e é justamente esse vazio – o vazio de toda representação – que ela parece destinada a exibir diante dos espectadores.
[i] Edward Gordon Craig, L’Art du theatre, Éditions O. Lieuter, 1942. Nova edição, Circé, coll. “Penser le theatre”, apresentação de Georges Banu e Monique Borie, seguida de entrevista com Peter Brook, 1999. [Edward Gordon Craig, A arte do teatro, trad.
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