Saúde de mulheres negras e APS: entre a colonialidade do cuidado, lutas cotidianas e o enfrentamento ao racismo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/S0104-12902026250511pt

Palavras-chave:

Saúde de Mulheres Negras, Racismo, Interseccionalidade, Vulnerabilização, Colonialidade

Resumo

Ao analisar o lugar social de mulheres negras, em especial na Atenção Primária à Saúde, esse ensaio evidencia como o racismo, o sexismo e as desigualdades de classe e território operam na produção de vulnerabilidades. Tendo a interseccionalidade e a crítica à colonialidade do cuidado como ferramentas teóricopolíticas, problematiza como a lógica universalista, alicerçada numa suposta neutralidade, e a equidade, insuficientemente trabalhada quanto à questão racial e de gênero, invisibilizam as vulnerabilizações dessas mulheres e as repercussões nas condições de vida, especialmente nos contextos de rua, favela e cárcere. Questiona a eficácia de abordagens que não levam em consideração múltiplas camadas de opressão, reforçam estereótipos e contribuem para a manutenção de desvantagens sociais. Destaca o protagonismo de mulheres negras na denúncia do racismo institucional e criação de tecnologias coletivoancestrais de cuidado. Aponta a urgência em articular e transversalizar políticas públicas, com destaque à Política Nacional de Saúde Integral da População Negra e Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, e destaca significativas iniciativas em curso. Conclui-se que um cuidado equânime exige o enfrentamento ao racismo e sexismo nas práticas da APS, fundado em epistemologias feministas negras e na valorização de suas experiências de reexistência.

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Biografia do Autor

  • Roberta Gondim de Oliveira

    Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), Departamento de Administração e Planejamento em Saúde, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

  • Ana Cláudia Barbosa

    Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

  • Ana Paula da Cunha

    Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

  • Elivanda Canuto de Sousa

    Associação Redes de Desenvolvimento da Maré (Redes da Maré), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

  • Jaçanã Lima Bouças

    Movimento Negro Unificado – Mulheres (MNU), São Paulo, SP, Brasil.

  • Lidiane Bravo da Silva

    Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

  • Lucilene Araújo de Freitas

    Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

  • Marina Maria Ribeiro Gomes da Silva

    Fundação Oswaldo Cruz – Presidência, Coordenação de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas (Cedipa/Fiocruz), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

  • Mayra da Cruz Honorato

    Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP), Departamento de Administração e Planejamento em Saúde, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

  • Monique Rodrigues de Oliveira Silva

    Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

  • Rita Helena do Espírito Santo Borret

    Clínica da Família Anthidio Dias da Silveira - Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Referências

Publicado

2026-07-27

Edição

Seção

Dossiê Ações antirracistas na APS: desafio para a garantia da equidade

Como Citar

Oliveira, R. G. de, Barbosa, A. C., Cunha, A. P. da, Sousa, E. C. de, Bouças, J. L., Silva, L. B. da, Freitas, L. A. de, Silva, M. M. R. G. da, Honorato, M. da C., Silva, M. R. de O., & Borret, R. H. do E. S. (2026). Saúde de mulheres negras e APS: entre a colonialidade do cuidado, lutas cotidianas e o enfrentamento ao racismo. Saúde E Sociedade, 35(2), e250511pt. https://doi.org/10.1590/S0104-12902026250511pt