Gênero e saúde mental no Brasil: diagnósticos de ansiedade, depressão e outros transtornos mentais comuns
DOI:
https://doi.org/10.1590/S0104-12902026260049ptPalabras clave:
Determinantes Sociais, Medicalização, Políticas Públicas, Saúde Mental, Viés de GêneroResumen
Este artigo analisa a persistência do viés de gênero na distribuição de diagnósticos de ansiedade, depressão e outros transtornos mentais comuns no Brasil, a partir de uma perspectiva feminista crítica. O objetivo é compreender de que modo as normas de gênero, as relações de poder e os processos de medicalização do mal-estar cotidiano contribuem para a maior frequência desses diagnósticos entre as mulheres. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa de natureza teórico-analítica, baseada na revisão crítica da literatura feminista em saúde mental e na análise de dados provenientes de inquéritos populacionais, registros administrativos e documentos institucionais. Os resultados indicam que as mulheres apresentam prevalências mais elevadas de diagnósticos de ansiedade e depressão, um padrão persistente ao longo do tempo e não atribuível a determinantes biológicos. A análise vincula essas desigualdades à divisão sexual do trabalho, à sobrecarga de cuidados, à exposição à violência de gênero e à psiquiatrização de sofrimentos socialmente produzidos. Conclui-se destacando a relevância de estratégias coletivas de cuidado — entre elas, os grupos de suporte de pares — como experiências que desafiam o modelo biomédico predominante, e defendendo que as políticas públicas de saúde mental devem se fundamentar nos determinantes sociais do sofrimento e ser sensíveis às questões de gênero.
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