Reforma Psiquiátrica Brasileira: argumentos críticos de profissionais de hospitais psiquiátricos1
DOI:
https://doi.org/10.1590/S0104-12902024230507ptPalavras-chave:
Reforma Psiquiátrica, Hospitais psiquiátricos, Psicologia Social Discursiva, Retórica, Análise de DiscursoResumo
A Reforma Psiquiátrica Brasileira consolidou-se através da criação de vários serviços e dispositivos substitutivos à psiquiatria asilar. No entanto, os hospitais psiquiátricos continuam existindo, não foram totalmente modificados e fazem parte da rede de serviços em saúde mental. Este artigo analisa argumentos desenvolvidos por profissionais de dois hospitais psiquiátricos da cidade de João Pessoa, na Paraíba, para criticar a Reforma Psiquiátrica Brasileira, colocando em foco os recursos retóricos mobilizados para apresentá-los como objetivos e factuais. É um estudo de abordagem qualitativa, em que foram obtidas 42 entrevistas submetidas à análise de discurso, de acordo com a proposta da Psicologia Social Discursiva. Os profissionais realizam um movimento semântico e pragmático que consiste em afirmar a ineficácia da Reforma Psiquiátrica e, ao mesmo tempo, negar qualquer oposição aos valores e princípios que a sustentam. As afirmações sobre a suposta ineficácia da Reforma são apresentadas como sólidas e objetivas, com o uso de diferentes recursos de produção de factualidade. Por meio desse processo, eles se apresentam como pessoas esclarecidas, tolerantes e guiadas pelos valores do Iluminismo, pessoas que produzem um relato verossímil sobre a Reforma Psiquiátrica Brasileira quando criticam seu modo de funcionamento.
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