Assexualidade e o dispositivo da sexualidade: biopoder, norma sexual e os limites da saúde

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/S0104-12902025250205pt

Palavras-chave:

Assexualidade, Medicalização, Sexualidade, Normas Sociais, Saúde Sexual, Minorias Sexuais e de Gênero

Resumo

Este artigo analisa os efeitos da medicalização da sexualidade sobre pessoas assexuais, compreendendo os como desdobramentos do dispositivo da sexualidade. A pesquisa foi desenvolvida por meio de etnografia virtual em uma comunidade online, observações presenciais e entrevistas semiestruturadas. A análise temática permitiu identificar quatro categorias: sexo como norma e fundamento da vida; patologização e violência simbólica no campo da saúde; biomedicina como operador da norma; e resistência, ativismo e produção de sentido. Os resultados evidenciam que a ausência de desejo sexual é frequentemente interpretada como disfunção, reforçando normas cis-heteronormativas nos contextos clínicos. Profissionais de saúde tendem a deslegitimar a identidade assexual, promovendo constrangimentos, diagnósticos indevidos e práticas de silenciamento. Por outro lado, os espaços digitais emergem como territórios de resistência, onde se constroem narrativas de reconhecimento e cuidado coletivo. Conclui-se que a patologização da assexualidade é sustentada por epistemologias biomédicas excludentes, sendo urgente a formação crítica de profissionais e a construção de políticas de saúde que afirmam a diversidade sexual como legítima expressão humana.

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Biografia do Autor

  • João Batista de Oliveira Junior, Universidade Federal do Paraná

    Universidade Federal do Paraná - Setor Litoral. Bacharelado em Saúde Coletiva

  • Zeno Carlos Tesser Júnior, Universidade Federal de Santa Catarina

    Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde - Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva

  • Dalvan Antônio Campos, Universidade Federal de Santa Catarina

    Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde - Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva

  • Marcelo Vieira, Universidade Federal de Santa Catarina

    Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde - Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva

  • Rodrigo Otávio Moretti-Pires, Universidade Federal de Santa Catarina

    Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde - Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva

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Publicado

2025-12-17

Edição

Seção

Artigos de pesquisa original

Como Citar

de Oliveira Junior, J. B. ., Tesser Júnior, Z. C. ., Campos, D. A. ., Vieira, M. ., & Moretti-Pires, R. O. . (2025). Assexualidade e o dispositivo da sexualidade: biopoder, norma sexual e os limites da saúde. Saúde E Sociedade, 34(4), e250205pt. https://doi.org/10.1590/S0104-12902025250205pt