Aborto induzido na interface da saúde e do direito

Autores

  • Iria Raquel Borges Wiese Universidade Federal da Paraíba
  • Ana Alayde Werba Saldanha Universidade Federal da Paraíba; Departamento de Psicologia

DOI:

https://doi.org/10.1590/S0104-12902014000200014

Resumo

Objetivou-se investigar as crenças dos profissionais de saúde e de direito sobre o aborto induzido, por meio da pesquisa qualitativa. Para tanto, foram entrevistados 15 profissionais de saúde (médicos ginecologistas/obstetras, enfermeiros e psicólogos) e 10 profissionais de direito (promotores de justiça e juízes de direito). As entrevistas foram operacionalizadas com base em categorias determinadas a partir dos sentidos suscitados, processados em uma série de etapas. Dessa forma, os discursos dos participantes foram agrupados em duas categorias: atitude e aspectos jurídicos. A categoria atitude foi composta por crenças contrárias e favoráveis a essa prática, que se centraram na heteronomia e sacralidade da vida. As crenças favoráveis, por sua vez, estiveram ancoradas na perspectiva dos direitos reprodutivos e sexuais, na redução de riscos e danos e na autonomia da mulher sobre seu próprio corpo. Em relação aos aspectos jurídicos, verificou-se que os profissionais de direito apresentaram um posicionamento mais rígido quanto à punição das mulheres que abortam. Embora se tenha uma legislação sobre o assunto e normas técnicas de atenção humanizada ao aborto, as discussões não se encerram no ponto de vista jurídico ou deontológico; ao contrário, abrangem um leque variado de crenças, as quais podem guiar a atuação dos profissionais, tanto no cuidado à saúde da mulher como na interpretação dos seus direitos.

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Publicado

2014-06-01

Edição

Seção

Artigos de pesquisa original

Como Citar

Wiese, I. R. B., & Saldanha, A. A. W. (2014). Aborto induzido na interface da saúde e do direito . Saúde E Sociedade, 23(2), 536-547. https://doi.org/10.1590/S0104-12902014000200014