Por uma ciência sensível, interdisciplinar e intercultural: desafios epistemológicos para resgatar a sabedoria na relação saúde, sociedade e natureza
DOI :
https://doi.org/10.1590/S0104-12902025240229ptMots-clés :
Interculturalidade, Interdisciplinaridade, Transição paradigmática, Povos tradicionais, Promoção em saúdeRésumé
Este artigo apresenta as bases plurais de uma ciência sensível, interdisciplinar e intercultural para imaginar outras relações sobre saúde, sociedade e natureza inspirados em referenciais e autores das ciências sociais e humanas, incluindo e transcendendo a saúde coletiva, a sociologia e a antropologia. Trata-se de um ensaio reflexivo sobre questões epistemológicas, teóricas e metodológicas cuja base empírica e experiencial provém de discussões conceituais e pesquisas sobre promoção emancipatória da saúde junto a territórios e grupos sociais vulnerabilizados, em particular povos originários e de periferias urbanas. Tais pesquisas e metodologias empregadas buscam produzir conhecimentos junto com, e não apenas para, as comunidades e os territórios envolvidos. O artigo defende uma transição paradigmática que crie condições e possibilidades de encontros convivenciais de saberes envolvendo sistemas de conhecimentos científicos, tradicionais e situados em torno de problemas e lutas sociais por saúde, dignidade e direitos territoriais. Para melhor compreender e ultrapassar os limites da ciência moderna, com seus cânones e disciplinas especializadas, propõe-se o resgate da sabedoria perdida pela modernidade eurocêntrica no enfrentamento das várias crises em curso que assolam o planeta, o país, os territórios e vários ecossistemas em processos acelerados de degradação.
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