Uso de coletes à prova de balas por policiais e suas implicações
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2317-2770.v30i2e-239992Palavras-chave:
Polícia, Equipamento de Proteção Individual, Desempenho Físico, Saúde OcupacionalResumo
Introdução: O uso de coletes balísticos é essencial para a proteção dos policiais em confrontos armados, sendo comprovadamente eficaz na redução da letalidade. No entanto, sua utilização prolongada pode acarretar dor e fadiga, e pode reduzir o desempenho ocupacional, sobretudo diante das demandas físicas da atividade policial. Objetivo: Analisar os impactos do uso do colete à prova de balas na saúde física, no bem-estar e no desempenho de policiais. Método: A partir de uma busca bibliográfica no PubMed (2019-2024), foram selecionados estudos que abordam proteção, desempenho físico, conforto, mobilidade e biomecânica. Discussão: Embora a eficácia do colete seja indiscutível, seu uso prolongado está associado a desconforto, dor lombar, fadiga e maior prevalência de lesões musculoesqueléticas, principalmente na região lombar e nos ombros. Aspectos como idade, índice de massa corporal (IMC) e tipo de atividade exercida são fatores que reduzem a adesão. Limitações de mobilidade, ajuste inadequado aos contornos corporais (especialmente em mulheres) e ausência de dados antropométricos atualizados são fatores críticos e podem comprometer o conforto, a eficácia balística e o desempenho nas atividades. A composição corporal influencia diretamente o desempenho sob carga, e programas de treinamento físico podem mitigar os efeitos negativos do EPI. Conclusão: Apesar de sua eficácia, os coletes balísticos requerem melhorias em design e ergonomia para garantir conforto e segurança. São necessários atualização dos dados antropométricos, implementação de políticas públicas de incentivo à adesão, campanhas de conscientização e programas de treinamento físico específico, visando garantir saúde, proteção e qualidade de vida aos policiais.
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