Inteligência artificial e “ressuscitação” materna: a propaganda “Como Nossos Pais”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1984-5057.v17i1e233047

Palavras-chave:

Maternidade , Consumo, Redes sociais digitais

Resumo

A propaganda comemorativa de 70 anos da marca Volkswagen no Brasil “ressuscitou”, através de inteligência artificial, a cantora Elis Regina em um dueto com sua filha Maria Rita. Tal feito visibilizou um imaginário da relação entre mãe e filha que dotou a campanha de valores culturais relacionados à maternidade. A pesquisa teve como objetivo compreender os significados de ser mãe (re)produzidos na propaganda da marca. Para isso, foram utilizados referenciais teóricos que abordam a maternidade, a cultura do consumo e as tecnologias midiáticas. Como caminho metodológico, foi utilizada a análise de conteúdo temática. A pesquisa permitiu perceber que no comercial da marca Volkswagen ocorreu a (re)produção dos seguintes significados de ser mãe: maternidade idealizada e naturalizada como uma relação de cuidado, de acolhimento, de carinho e de boas experiências para mães e filhos associados ao uso de veículos automotores da marca Volkswagen. Alguns desses valores representam entendimentos sobre maternidade que estão de acordo com pressupostos da cultura da maternidade patriarcal, mas que encontram cada vez mais resistência em manifestações ocorrentes nas mídias sociais digitais.

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Biografia do Autor

  • Fernanda Bôto Paz Aragão, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

    Professora assistente do curso de Publicidade e Propaganda na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará (UFC), linha de pesquisa: Mídias e Práticas Socioculturais. Área temática do doutorado: maternidades, consumos e comunidades virtuais. Integrante do seguintes Grupos de Pesquisa: Grupo de Pesquisa em Comunicação, Cultura e Sociedade; Grupo Comunicação Estratégica, Discurso e Novas Tecnologias; GICEU - Grupo de Pesquisa de Imagem, Consumo e Experiências Urbanas e do GCC - Grupo de Comunicação e Consumo (@gcc.ufc). Coordenou o Projeto de Extensão SocialCom: Laboratório de Comunicação Digital (@socialcomlab) e foi orientadora de pesquisa de iniciação científica (PIBIC) com os seguintes temas: cultura e redes sociais; juventude e consumo de conteúdo digital e adaptação das marcas em tempos de pandemia. Participou do Grupo de Pesquisa Internacional em Marcas de Luxo e do Grupo de Estratégia, Desempenho Empresarial e Empreendedorismo. Graduada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda pela UFC. Pós-graduada em Gerência Executiva de Marketing pelo CETREDE - UFC e em Estratégia e Gestão Empresarial pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Mestra em Administração pela UECE (mestrado acadêmico). Principais interesses de pesquisa: comunicação, consumos, maternidades, culturas, culturas digitais, comunidades virtuais, sociabilidades, sustentabilidade, publicidade, marketing, linguagens, design, e-business, novas mídias e gestão de marcas, metodologias de pesquisa. 

     

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Publicado

2025-06-30

Como Citar

ARAGÃO, Fernanda Bôto Paz. Inteligência artificial e “ressuscitação” materna: a propaganda “Como Nossos Pais”. Signos do Consumo, [S. l.], v. 17, n. 1, p. e233047, 2025. DOI: 10.11606/issn.1984-5057.v17i1e233047. Disponível em: https://revistas.usp.br/signosdoconsumo/article/view/233047.. Acesso em: 14 jan. 2026.