Tourisme de fond : l’intériorisation pénitentiaire à São Paulo face à des marchés contestés

Auteurs

DOI :

https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2025.232150

Mots-clés :

Marchè Contestès. Prison. Violence. Genre. São Paulo.

Résumé

À partir d'une ethnographie réalisée dans la ville de Lavínia/SP nous analysons une tension entre deux populations reliées par des marchés contestés. D'un côté, les propriétaires de gîtes et de l'autre, les femmes proches de personees incarcérées. Cette dispute est considérée comme une partie intégrant du mosaique des politiques d'intetériorisation pénitentiaire dans et de l'État de São Paulo. L'article cherche à apporter des éléments au débaut récent sur la prison qui existe hors de ses murs, en soulignant un deplácement de la contestation, des opérateurs de marché autrefois opposés à l'arrivé des prisons dans leurs villes qui aujourd'hui sont favorables et souhaitent l'expansion du système pénitentiaire. La couverture morale de cette acceptation passe par la justification du tourisme pénitentiaire comme alternative de développement pour les municipalités appauvries. Le discours construit autour du tourisme pénitentiaire réduit ce phénomène à une rencontre abstraite entre fournisseurs et demandeurs, reléguant au second plan la violence du système pénitentiaire et la condition d'exclusion de ces demandeurs désignées comme femmes de prisonnier, à elles est même interdite la possibilité de devenir opératrices de ce marché. 

##plugins.themes.default.displayStats.downloads##

##plugins.themes.default.displayStats.noStats##

Biographies de l'auteur

  • Thamires Luz Chikadze, Universidade Federal de Santa Catarina

    Graduada em sociologia pela Universidad de Granada, Espanha. Mestre e Doutora em sociologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. 

  • Marcia da Silva Mazon, Universidade Federal de Santa Catarina

    Professora associada do Departamento de Sociologia e Ciência Política
    (PPGSP) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Possui graduação em Psicologia
    pela Universidade de São Paulo, mestrado e doutorado em Sociologia Política pela Universidade
    Federal de Santa Catarina. É professora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Ciência
    Política e do Doutorado Interdisciplinar em Ciências Humanas, ambos da UFSC. É coordenadora
    do Núcleo de Sociologia Econômica (NUSEC). E-mail: marciadasilvamazon@yahoo.com.br.

Références

Akotirene, Carla. (2023), “É fragrante fojado doutor vossa excelência”: audiências de custódia, africanidades e encarceramento em massa no Brasil. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira.

Alexander, Michelle. (2017), A nova segregação: racismo e encarceramento em massa. São Paulo, Boitempo.

Baima, Fernando Gustavo Meireles. (2021), Usos do território maranhense: expansão e regionalização do sistema prisional estadual (1830-2020). São Luís/ma, dissertação de mestrado em Educação. Centro de Educação, Ciências Exatas e Naturais da Universidade Estadual do Maranhão.

Barbosa, Antonio Rafael. (2013), “‘Grade de ferro? Corrente de ouro!’: circulação e relações no meio prisional”. Tempo Social, São Paulo, 25: 107-129, jun.

Bezerra, Barbara Bruna Araújo. (2020), Os efeitos da instalação de prisões em nível local: um estudo da presença do complexo penal de Alcaçuz na vida comunitária da comunidade de Hortigranjeira. Natal-RN, dissertação de mestrado. Centro de Ciências Humanas, Letras e

Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 118 p.

Bourdieu, Pierre. (2005), O campo econômico. Política & Sociedade, 6: 15-58.

Bourdieu, Pierre. (2006), A economia das trocas simbólicas. São Paulo, Perspectiva.

Bumachar, Bruna. (2016), Nem dentro, nem fora: a experiência prisional de estrangeiras em

São Paulo. 380 f. Campinas-SP, Tese de doutorado, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Campinas.

Campello, Ricardo Urquizas. (2019), Faces e interfaces de um dispositivo tecnopenal: o monitoramento eletrônico de presos e presas no Brasil. 207 f. São Paulo, Tese de doutorado em Sociologia, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

Comfort, Megan. (2008), Doing time together: Love and family in the shadow os the prison. Chicago, University of Chicago Press.

Cunha, Manuela. (2015), “Da relação prisão-sociedade: atualização de um balanço”. In: Cunha, Manuela. Do crime e do castigo: temas e debates contemporâneos. Lisboa, Mundos Sociais, pp. 181- 200.

Davis, Angela. (2020), Estarão as prisões obsoletas? Rio de Janeiro, Difel.

De Farias et al. (2021), Entendendo o fenómeno do turismo sociofamiliar prisional: um estudo de caso em Presidente Bernardes (sp). Turismo & Cidades, 3 (6): 35-59, jan./jun.

Elias, Norbert & Scotson, John. (2000), Os estabelecidos e os outsiders: sociologia das relações de poder a partir de uma pequena comunidade. Rio de Janeiro, Zahar.

Godoi, Rafael. (2017), Fluxos em cadeia: as prisões em São Paulo na virada dos tempos. São Paulo, Boitempo.

Godoi, Rafael et al. (2019), “Espacializando a prisão: a conformação dos parques penitenciários em São Paulo e no Rio de Janeiro”. Revista Novos Estudos Cebrap, São Paulo, 38 (3): 591-611, set.-dez.

Governo do Estado de São Paulo. (2019), “Governo de São Paulo inaugura presídio em Lavínia”. Portal Últimas Notícias. Disponível em: https://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/governo-de-sao-paulo-inaugura-presidio-em-lavinia/, consultado em 29/01/2023.

Grün, Roberto. (2005), “Convergência das elites e inovações financeiras: a governança corporativa no Brasil”. Rbcs, 20 (58): 67-90, jun.

Haraway, Donna. (1995), “Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial”. Cadernos Pagu, 5: 7-41.

Lago, Natália. (2019), Jornadas de visita e de luta: tensões, relações e movimentos de familiares nos arredores da prisão. 231 f. São Paulo, tese de doutorado, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

Luz, Chikadze Thamires. (2024), Turismo de fundo é aqui na 018: Mulheres familiares de pessoas encarceradas enquanto operadoras de mercados e cuidados. 230 f. Florianópolis, tese de doutorado, Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina.

Luz, Chikadze Thamires & Mazon, da Silva Marcia. (2020), “Turismo penitenciário e arranjos institucionais de mercado”. Revista Tomo, 37: 289-322.

Misse, Michel et al. (2023), “Os sentidos do cárcere: Apresentação do número especial”. Dilemas: Revista de Estudos de Conflito e Controle Social, 16, Spe 5: 1-7.

Moschetto, Fabrizio & Santos, Glauber Eduardo de Oliveira. (2010), “Turismo sociofamiliar prisional: um estudo preliminar”. Sinergia, 11 (1): 53-56.

Padovani, Natália. (2015), Sobre casos e casamentos: afetos e “amores” através de penitenciárias femininas em São Paulo e Barcelona. 400 f. Campinas-sp, tese de doutorado, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Campinas.

Sabaini, Raphael Tadeu. (2012), Uma cidade entre presídios: ser agente penitenciário em Itirapina – sp. 160 f. São Paulo-SP, dissertação de mestrado, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

Salla, Fernando. (2007), “De Montoro a Lembo: as políticas penitenciárias em São Paulo”. Revista Brasileira de Segurança Pública, 1 (1): 72-90.

Salla, Fernando et al. (2012), “Políticas penitenciárias e as facções criminosas: uma análise do regime disciplinar diferenciado (RDD) e outras medidas administrativas de controle da População carcerária”. Estudos de Sociologia, 17 (33): 333-351.

Secretaria de Administração Penitenciária – SA. Disponível em: https://www1.sap.sp.gov.br/sp/unidades-prisionais, consultado em 25/05/2025.

Silvestre, Giani. (2012), Dias de visita: uma sociologia da punição e das prisões. São Paulo, Alameda.

Steiner, Philippe. (2023), “A sociologia econômica da contestação moral”. Sociologias, 25: 1-28.

Steiner, Philippe & Trespeuch, Marie (dir.). (2015), Marchés contestés: Quand le marché rencontre la morale. Toulouse, Presses Universitaires du Mirail.

Telles, Vera da Silva. (2019), “Apresentação: deslocando referências, propondo novas questões”. Tempo Social, 31 (3): 1-5, set.-dez.

Touraut, Caroline. (2012), La famille à l’épreuve de la prison. Paris, Presses Universitaires de France.

Trompette, Pascale. (2015), “Faire de spéculation vertu… Dispositifs et controverses morales au coeur du marché des funérailles”. In: Steiner, Philippe & Trespeauch, Marie (orgs.). Marchés contestés: Quand le marché recontre la morale. Toulouse, Presses Universitaires du Midi, pp. 279-309.

Velho, Gilberto. (2013), “Observando o familiar”. In: Vianna, Hermano et al. (orgs.). Um antropólogo na cidade. Rio de Janeiro, Zahar.

Zelizer, Viviana. (1978), “Human values and the market: The case of life insurance and death in 19th-century America”. American Journal of Sociology, 84 (3): 591-610.

Zelizer, Viviana. (1992), “Capitalism, the family and personal life”. Annual Review of Sociology, 18: 295-314.

Zelizer, Viviana. (2011), El significado social del dinero. Buenos Aires, Fondo de Cultura Económica.

Zomighani, James Humberto. (2014), “Cartografias da interiorização penitenciária no estado de São Paulo”. Revista Verve, São Paulo, 25: 109-128.

World Prison Brief. (2021), World Prision Population List. Disponível em https://www.prisonstudies.org/sites/default/files/resources/downloads/world_prison_population_list_13th_edition.pdf, consultado em 9/10/2023.

Téléchargements

Publiée

2025-12-30

Comment citer

Luz Chikadze, T., & da Silva Mazon, M. (2025). Tourisme de fond : l’intériorisation pénitentiaire à São Paulo face à des marchés contestés. Tempo Social, 37(3), 1-25. https://doi.org/10.11606/0103-2070.ts.2025.232150