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Angola - acervo, memória e literatura
v. 26 n. 2 (2025)As fontes de informação em literatura constituem referências significativas sobre o que está registrado sob a forma do livro em papel ou no mundo virtual, possibilitando que a partir delas se possa historicizar, compreender ou mesmo reinventar o objeto literário.
Ao contemplar uma larga gama de disciplinas, que abrangem desde a Crítica Genética até a História Literária, o trabalho com documentação no campo literário abre numerosas veredas/disciplinas que abrangem desde a Crítica Genética enquanto ela permite elaborar uma leitura da obra não a partir do produto divulgado — a publicação do livro —, mas também dos processos de escrita, com seus rascunhos e versões, favorecendo a subversão de noções como as de progresso, originalidade ou mesmo a revisão de biografias. Da mesma forma, o estudo de acervos literários e da correspondência entre autores e/ou críticos propicia que se tracem as redes de sociabilidade no campo literário, assim como os caminhos de processos de criação e da expressão autobiográfica.
Um olhar sobre a área das Literaturas Africanas, especialmente na literatura angolana, revela-nos que, a despeito esses múltiplos caminhos de trabalho, têm sido escassas as pesquisas com base em fontes primárias, certamente por existirem poucos documentos à disposição dos pesquisadores, seja em razão das adversidades históricas, seja por os documentos estarem em mãos de particulares. Abrir espaço para trabalhos que tenham conseguido romper essa limitação é o sentido do dossiê “Angola: acervo, memória e literatura”.
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As Literaturas de Autoria Afrodescendente no Brasil e em Portugal
v. 26 n. 1 (2025)Nos últimos anos, observamos com otimismo um crescimento importante da presença de autores negros no mercado editorial brasileiro, o que, todavia, não apaga os impasses de caráter étnico-racial em uma sociedade marcada por seu racismo estrutural. Já em Portugal, acompanhamos as crescentes tensões sobre a autoria afrodescendente como consequência da luta pela visibilidade desse segmento que desperta espectros históricos que ainda nos atormentam e que condicionam a recepção de determinados textos. Como bem aponta Miguel Vale de Almeida (2022) em relação a seu país, mas que, em grande medida, se aplica também ao Brasil, “A democracia portuguesa não soube descolonizar(-se). Uma demonstração desse insucesso é a perturbadora continuidade da hegemonia da narrativa lusotropicalista. Esta narrativa, largamente disseminada no senso comum, ampara processos de negação do racismo estrutural e institucional.”
A história surge, assim, nesses dois contextos, como elemento fundamental para a compreensão da experiência negra e afrodescendente em toda sua extensão já que, ao ser oficialmente escrita parte de um campo de força ideológico seletivo e que pertence às classes dominantes, está repleta de silenciamentos. Nesse movimento dialético entre história e experiência vivida, a arte ascende como espaço privilegiado de luta e resistência e se revela não só no âmbito da ética e da política, mas também no da estética.
Delimitar a extensão dessa influência deve ser uma das tarefas primeiras de quem se dedica à pesquisa no campo das literaturas de língua portuguesa. Mensurar corretamente o impacto dos fenômenos sócio-históricos no domínio da literatura é uma das mais adequadas e eficazes armas para se combater tanto o predomínio de uma pauta estética estéril, quanto para evitar que a literatura se torne um campo desidratado de sentido social.
Dessa maneira a interlocução proposta entre a Literatura e os campos das Ciências Humanas e Sociais, principalmente o campo da História, configura-se e consolida-se como eficiente estrutura para a análise crítica e a interpretação literária.
Neste número 45 da revista Via Atlântica, acolheremos artigos teórico-críticos inéditos que reflitam sobre a produção de autoria negra e/ou afrodescendente em Portugal e no Brasil que abordem temas associados, tais como: literatura e vida social, literatura e história, literatura e transformação social, literatura e resistência à luz das caraterísticas próprias dos contextos português e brasileiro.
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Literatura de Mulheres: Memórias, Periferias e Resistências no Espaço Luso-Afro-Brasileiro
v. 25 n. 2 (2025)O dossiê especial “Literaturas de Mulheres: Memórias, Periferias e Resistências no Espaço Luso-Afro-Brasileiro” enquadra-se no projeto de investigação Literatura de Mulheres: Memórias, Periferias e Resistências no Atlântico Luso-Afro-Brasileiro, com o acrónimo WomenLit, aprovado para financiamento pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, em Portugal, e que reuniu uma equipa de investigadores afiliados a universidades e centros de investigação científica em Portugal, Brasil, Angola e Moçambique. Se, por um lado, a filiação profissional das organizadoras do dossiê reflete esta amplitude e diversidade geográfica, os artigos incluídos exploram a escrita de mulheres de São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Moçambique, Angola, Brasil e Portugal. Propôs-se pensar a literatura escrita por mulheres no espaço luso-afro-brasileiro, contribuindo para uma discussão em torno das representações da memória e pós-memória e dos questionamentos face à definição de cânones literários e diferentes estratégias literárias que resistem à representação das subjetividades masculinas hegemônicas nas narrativas de memória coletiva.
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Queerizar o cânone luso-afro-brasileiro
v. 19 n. 1 (2018)En este volumen, presentamos la queificación de obras y sus creadores
canónicos, o la resurrección de obras y autores olvidados y otros
minoritarios, sin ningún criterio preconcebido, temática explícita o biografía
de autor, prefiriendo a la celebración de una diferencia la insinuación de una duda
constante, la erosión insaciable, lúdica y política, de las fronteras convencionales entre
homo y heterosexuales. Después de todo, las prácticas que son el reflejo de
una resistencia a la homogeneización cultural, una "resistencia más firme ante los
los regímenes de la normalidad, en particular la
heteronormatividad, ya que considerar aún hoy la heterosexualidad como
una evidencia comprueba la fuerza del pensamiento straight.









