Ferramenta para avaliação do risco de maus-tratos aos animais tutorados por mulheres em situação de violência por parceiro íntimo
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1678-4456.bjvras.2024.218099Palavras-chave:
Violência doméstica, Teoria do elo, Animais de companhia, Medicina veterinária do coletivo, Saúde coletivaResumo
A violência interpessoal relacionada ao abuso de animais já foi destacada por diversos pesquisadores. O abuso de animais pode ser consequência da violência interpessoal ou ocorrer concomitantemente a ela. Em situações que envolvem violência contra a mulher por parceiro íntimo, os animais de estimação são ameaçados e maltratados como forma de intimidar, punir ou controlar a vítima, principalmente quando existe um forte vínculo entre o animal e seu dono. Este estudo teve como objetivo construir um instrumento estruturado para avaliar o risco de abuso a que está exposto um animal de companhia tutorado por uma mulher em situação de violência, a partir das questões apresentadas em um questionário para identificar o abuso animal de mulheres em situação de violência pelo parceiro íntimo, além de embasamento científico relacionado ao tema. Em forma de questionário, a ferramenta proposta é composta por nove afirmações e cinco respostas possíveis, visando mensurar quão próxima é a relação entre o animal de estimação e a mulher, as ameaças ou ataques que o animal já sofreu e a frequência do uso de drogas pelo agressor. Foi atribuído 1 (um) ponto para “discordo totalmente”, 2 (dois) pontos para “discordo parcialmente”, 3 (três) pontos para “não sei responder”, 4 (quatro) pontos para “concordo parcialmente” e 5 pontos para “concordo totalmente”. De acordo com a pontuação atribuída, o risco do animal ser maltratado foi categorizado em baixo (9 a 18 pontos), médio (19 a 28 pontos) ou alto (29 a 45 pontos). Cada afirmação tem o mesmo peso, mas é apresentada em ordem crescente de gravidade. Situações menos alarmantes são apresentadas no início do questionário e outras mais graves, como a morte do animal ou a sensação da mulher de que seu agressor pode matá-la, são apresentadas no final. Há necessidade de que a ferramenta seja testada e adequada para que a avaliação do risco de abuso a que está exposto um animal de companhia tutorado por uma mulher em situação de violência seja efetivamente mensurada.
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