Antropoceno/Plantationoceno, catástrofes ambientais e a chuva de agrotóxicos
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v34i1pe215164Palavras-chave:
Colonialismo, Plantation, Mudanças climáticas, Revolução verde, RessurgênciasResumo
Este ensaio analisa a relação entre colonialismo, plantation e mutações climáticas, com ênfase nas consequências dos agrotóxicos. Argumenta-se que o Antropoceno/Plantationoceno está intrinsecamente ligado ao colonialismo, que provocou genocídio, ecocídio e epistemicídio de distintos coletivos. Essa violência colonial instituiu o sistema de plantations, a privatização da terra, o controle de corpos e o aniquilamento de territórios existenciais, reduzindo a sociobiodiversidade da Terra. No pós-Segunda Guerra Mundial, a destruição intensificou-se pela difusão de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos, pelo controle industrial das sementes e pelo uso de maquinário à base de combustíveis fósseis na agricultura. Como contraponto, identificam-se formas de (r)existências por meio de socialidades multiespécies, práticas e saberes ligados a outras agriculturas. Nesse sentido, apresenta-se a história de vida de uma agricultora paraibana, que sofreu recorrentes intoxicações por agrotóxicos enquanto trabalhadora da plantation e hoje cultiva ressurgências de seu corpo-território em seu quintal agroecológico, em um assentamento de reforma agrária.
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eISSN: 2316-9133