Antropoceno/Plantationoceno, catástrofes ambientais e a chuva de agrotóxicos

Autores

  • Josiane Carine Wedig Departamento de Ciências Humanas - Universidade Tecnológica Federal do Paraná
  • Marina Augusta Tauil Bernardo Universidade Federal do Paraná (UFPR)

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v34i1pe215164

Palavras-chave:

Colonialismo, Plantation, Mudanças climáticas, Revolução verde, Ressurgências

Resumo

Este ensaio analisa a relação entre colonialismo, plantation e mutações climáticas, com ênfase nas consequências dos agrotóxicos. Argumenta-se que o Antropoceno/Plantationoceno está intrinsecamente ligado ao colonialismo, que provocou genocídio, ecocídio e epistemicídio de distintos coletivos. Essa violência colonial instituiu o sistema de plantations, a privatização da terra, o controle de corpos e o aniquilamento de territórios existenciais, reduzindo a sociobiodiversidade da Terra. No pós-Segunda Guerra Mundial, a destruição intensificou-se pela difusão de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos, pelo controle industrial das sementes e pelo uso de maquinário à base de combustíveis fósseis na agricultura. Como contraponto, identificam-se formas de (r)existências por meio de socialidades multiespécies, práticas e saberes ligados a outras agriculturas. Nesse sentido, apresenta-se a história de vida de uma agricultora paraibana, que sofreu recorrentes intoxicações por agrotóxicos enquanto trabalhadora da plantation e hoje cultiva ressurgências de seu corpo-território em seu quintal agroecológico, em um assentamento de reforma agrária.

 

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Biografia do Autor

  • Josiane Carine Wedig, Departamento de Ciências Humanas - Universidade Tecnológica Federal do Paraná
    Possui Licenciatura e Bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Pelotas (2007). Mestrado no Curso de Pós- Graduação em Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2009). Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Realizou doutorado-sanduíche na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS)-Paris. Professora adjunta do Departamento de Ciências Humanas da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
  • Marina Augusta Tauil Bernardo, Universidade Federal do Paraná (UFPR)

    Doutoranda em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Advogada Popular. Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Extensão Rural pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Especialista em Agroecologia e Produção Orgânica pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS). Co-Coordenadora e pesquisadora a campo pelo Projeto “Territórios Livres”, desenvolvido pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), com a apoio da Fundação Heinrich Böll. Co-
    Coordenadora do GT Mulheres da ABA. Integrante do Grupo de Pesquisa CNPq/UERGS NEA Gaia Centro Sul e do Ekoa, Grupo de Pesquisa e Extensão em Direito Socioambiental (UFPR). Consultora do Centro de Colaboração em Nutrição e Alimentação Escolar (CECANE-IFPE). Com estudos em temáticas como sementes crioulas, direito humano à alimentação adequada, segurança alimentar e nutricional, conhecimentos tradicionais e agroecologia.

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Publicado

2025-11-07

Edição

Seção

Artigos e Ensaios

Como Citar

Wedig, J. C., & Bernardo, M. A. T. (2025). Antropoceno/Plantationoceno, catástrofes ambientais e a chuva de agrotóxicos. Cadernos De Campo (São Paulo - 1991), 34(1), e215164. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v34i1pe215164