Além das fronteiras: tradução, cosmopolitismo e humanismo em Stefan Zweig
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2317-8051.cllh.2025.243220Palavras-chave:
Cosmopolitismo, Humanismo, Pacifismo, Stefan Zweig, TraduçãoResumo
Apresentado no II Congresso Internacional de Pesquisadores em Estudos Judaicos da Universidade de São Paulo.
Este artigo investiga a relevância da atividade tradutória de Stefan Zweig, tradicionalmente relegada a segundo plano pela crítica literária, reinterpretando-a como o núcleo central de seu cosmopolitismo, humanismo e pacifismo. Argumenta-se que a prática de Zweig, longe de ser um mero exercício técnico, constitui um projeto coerente que eleva a literatura a um espaço de mediação e reconciliação. Para tanto, o estudo ilumina a trajetória intelectual de Zweig à luz do conceito de cidadania literária universal, intuído a partir de sua própria obra e prática tradutória, como expressão de sua postura ética diante dos nacionalismos. Esta se manifesta em diversas frentes, por exemplo: na difusão de autores como Verhaeren e na aliança com Romain Rolland, buscando a conciliação entre povos; na tradução da poesia de Baudelaire e Verlaine como gesto de acolhimento simbólico; em biografias como a de Erasmo de Roterdã, visto como o paradigma do intelectual supranacional, e a de Maria Antonieta, utilizada como tradução existencial de sua própria crise; no ensaio Aos amigos no estrangeiro como resistência pública ao nacionalismo beligerante etc. Em vista disso, a análise demonstra que, ao confrontar o Estado-nação e o totalitarismo mediante a palavra escrita, Zweig converteu sua literatura, inclusive as traduções, em trincheira discursiva, reafirmando sua aposta na fraternidade humana supranacional. Em última instância, o artigo conclui que a escrita de Zweig permanece como um convite ético à escuta e à resistência em tempos de ruína cultural.
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