A atuação colonial da Bélgica no Congo e os seus impactos sobre a posição social das mulheres congolesas: uma revisão de literatura (séculos XIX–XX)
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2318-8855.v14i1p42-75Palavras-chave:
colonialismo, gênero, história da África, pós-colonialismoResumo
O presente artigo objetiva compreender de que forma a situação das mulheres na região do antigo Kongo mudou ao longo dos séculos XIX e XX. Tal situação passou de uma posição de influência e de poder antes do contato com os portugueses por conta da descendência matrilinear, para uma situação de subalternidade, na qual as mulheres estão submissas à vontade dos homens e são reconhecidas somente dentro do espaço doméstico, ao cumprirem seus papéis de mães e esposas. A análise será realizada a partir da revisão bibliográfica de obras que tratam sobre os impactos da colonização belga sobre a vida das mulheres no Kongo. Para isso, será avaliado como a colonização dessa região no século XIX e o processo de descolonização no século XX alteraram a condição da mulher, a partir da junção de elementos pré-existentes dessas sociedades que prestigiavam o papel feminino na manutenção da família com elementos patriarcais da tradição ocidental, impostos pelos colonizadores belgas e reforçados pelos revolucionários congoleses. O estudo revela que, apesar destas mudanças, as mulheres resistiram de diferentes formas a essa opressão, como é o caso da militante revolucionária Léonie Abo, a qual empreendeu sua luta por mais igualdade dentro do contexto do combate às forças golpistas e aos imperialistas na Rebelião de Kwilu.
Downloads
Referências
AGOSTINI, Camilla; ALMEIDA, Marcos Abreu Leitão de. De Mvika à Cabiúna: a dinâmica social de pessoas e lugares no processo de escravização durante o segundo escravismo. In: SANTOS, Vanicléia Silva et al. Arqueologia e história da cultura material na África e na diáspora africana. Curitiba: Brazil Publishing, 2019, p. 155–191.
BATSÎKAMA, Patrício. Sistema político no antigo Kôngo. Recife: Edupe, 2022.
BOUWER, Karen. Gender and decolonization in the Congo: the legacy of Patrice Lumumba. Nova Iorque: Palgrave MacMillan, 2010.
BROADHEAD, Susan Herlin. Slave wives, free sisters: Bakongo women and slavery, c. 1700–1850. In: ROBERTSON, Claire C.; KLEIN, Martin A. (eds.). Women and slavery in Africa. Portsmouth: Heinemann, 1997, p. 160–181.
DE LAURETIS, Teresa. A tecnologia do gênero. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de. Tendências e impasses: o feminismo como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Rocco, 1994, p. 206–242.
GENTILI, Anna Maria. Verbete conceitual: "Colonialismo". In: BOBBIO, Norberto et al. Dicionário de Política. 11. ed. Brasília: UNB, 1998, p. 181–186.
HEYWOOD, Linda M. Slavery and its transformation in the Kingdom of Kongo: 1491-1800. Journal of African History, v. 50, n. 1 p. 1–22, 2009.
HILTON, Anne. Family and kinship among the Kongo south of the Zaïre River from the sixteenth to the nineteenth centuries. The Journal of African History, Cambridge University Press, v. 24, n. 2, p. 189–206, 1983.
HILTON, Anne. The kingdom of Kongo. Oxford: Clarendon Press, 1985.
KALEMA, Emery M. The Mulele “rebellion”: bodily pain and the politics of death (Democratic Republic of the Congo, 1963–1968). Politique Africaine, Karthala, v. 3, n. 163, 2021, p. 145–172.
LAW, Kate. ‘‘We wanted to be free as a nation, and we wanted to be free as women’: Decolonisation, nationalism and women’s liberation in Zimbabwe, 1979-851. Gender & History, v. 33, n. 1, p. 249–268, mar. 2021.
LOPES, Nei. Bantos, malês e identidade negra. 3. ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2011.
LÓPEZ, José Luis Cortés. Felipe II, III y IV, reyes de Angola y protectores del reino do Congo (1580–1640). Studia Historica – Historia Moderna, v. 9, p. 223–246, 1991.
LOVEJOY, Paul E.; RICHARDSON, David. The business of slaving: Pawnship in Western Africa, c. 1600–1810. Journal of African History, v. 42, p. 67–89, 2001.
M’BOKOLO, Elikia. África negra: história e civilizações. Salvador/São Paulo: EDUFBA/Casa das Áfricas, 2009.
MACEDO, José Rivair; FALCÃO, Nuno de Pinho (eds.). Os “papéis” de António Manuel, embaixador do reino do Congo em Roma. Luanda: Ministério das Relações Exteriores, (em preparação).
MAMA, Amina A. Heroes and villains: Conceptualising colonial and contemporary violence against women in Africa. In: ALEXANDER, M. Jacqui; MOHANTY, Chandra T. (orgs.). Feminist Genealogies, Colonial Legacies, Democratic Futures. Nova York/Londres: Routledge, 1997. p. 46–62.
MAMA, Amina A. Temas desafiantes: Género y poder en los contextos africanos. In: NAVAZ, Liliana Suarez; HERNÁNDEZ, Rosalva Aida (org.). Descolonizando el feminismo: teorías y prácticas desde los márgenes. 1. ed. Barcelona: Cátedra Ediciones, 2008, p. 215–236.
MARTENS, Ludo. Abo: Une femme du Congo. Bruxelles: EPO, 1995.
MARTENS, Ludo. Pierre Mulele ou la seconde vie de Patrice Lumumba. Bruxelles: EPO, 1985.
MARTINS, Pedro Alexandre Nobre Santos. A Crise do Congo vista pela Imprensa Portuguesa (1960–1965). 2014. Dissertação (Mestrado em História Moderna e Contemporânea) – Departamento de História, Instituto Universitário de Lisboa, Lisboa, 2014.
MBEMBE, Achille. Crítica da razão negra. 1. ed. Lisboa: Antígona, 2014.
NASCIMENTO, Evelyn Rosa do. Entre o silêncio e o reconhecimento: o processo de independência e os movimentos de libertação no Congo-RDC (1956–1960). 2015. Dissertação (Mestrado em História) – Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, 2015.
PALA, Achola; LY, Madina. La mujer africana en la sociedad precolonial. Barcelona: Serbal; UNESCO, 1982.
SAID, Edward. Cultura e imperialismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
THORNTON, John K. Elite women in the Kingdom of Kongo: historical perspectives on women’s political power. The Journal of African History, Cambridge University Press, v. 47, n. 3, p. 437–460, 2006.
VANSINA, Jan. How societies are born: Governance in West Central Africa before 1600. Charlottesville: University of Virginia Press, 2004.
WESSELING, Henk. L. O Congo e a criação do Estado Livre: 1882–1885. In: WESSELING, H. L. Dividir para dominar: a partilha da África, 1880–1914. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1998, cap. II.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Caterine Krauspenhar Gluszczuk

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
A revista Epígrafe não exerce cobrança pelas contribuições recebidas, garantindo o compartilhamento universal de suas publicações. Os autores mantêm os direitos autorais sobre os textos originais e inéditos que disponibilizarem e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.