O conceito de fronteira

Auteurs

DOI :

https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2026.251538

Mots-clés :

Semiótica da cultura, Semiosfera, Fronteira semiótica

Résumé

No ensaio a seguir, Iúri Lotman apresenta e detalha o conceito de fronteira semiótica, de extrema utilidade aos estudos culturais. O semioticista a define como uma área limítrofe, situada entre duas ou mais semiosferas, na qual as trocas culturais e inovações artísticas ocorrem em grande intensidade. Essas fronteiras frequentemente coincidem com as periferias geográficas. Como tudo o que é externo e alterizado, o texto fronteiriço costuma ser valorado negativamente pelos centros normatizantes. Entretanto, tais manifestações não se cristalizam ali; elas tendem a se deslocar ao centro da semiosfera. Isso porque a fronteira é também um mecanismo de tradução, que transforma esses textos alheios em textos internos, sem, contudo, retirar-lhes o caráter alienígena. Para ilustrar a ideia, Lotman traz uma série de exemplos, como a aparentemente paradoxal existência de um Byron russo na figura de Mikhail Lérmontov, e a popularização das calças jeans, inicialmente um item de vestuário típico da classe trabalhadora. Vê-se, portanto, que o ensaio detém grande relevância na análise de manifestações culturais marginalizadas e do processo de apropriação de seus elementos pelos centros.

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Biographie de l'auteur

  • Iúri Lotman, University of Tartu

    (Petrogrado, 1922 – Tártu, 1993) Docente da Universidade de Tártu (Estônia). Semioticista, filólogo, historiador da literatura e da cultura russa. Um dos fundadores, na década de 1960, da Escola Semiótica de Tártu-Moscou.

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Publiée

2026-08-31

Comment citer

Lotman, I. (2026). O conceito de fronteira. Estudos Semióticos, 22(2), 338-350. https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2026.251538