Grupos empresariais familiares do agronegócio e a reconfiguração espacial das fronteiras agrárias do Brasil
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2179-0892.geousp.2026.248162Palavras-chave:
grupo econômico, agronegócio, Produção do espaço, fronteiraResumo
Este artigo examina como o grupo empresarial brasileiro do agronegócio Amaggi, controlado pela família Maggi, molda as fronteiras agrárias do Brasil. Com base na geografia agrária crítica e nas obras de Lefebvre, Harvey, Gramsci e Santos, o artigo conceitua a produção de fronteiras como um processo de reconfiguração espacial por meio do qual infraestruturas materiais, arranjos de governança e práticas simbólicas são articulados para estabilizar a circulação em condições de instabilidade persistente. A partir da análise de três configurações de fronteira em Mato Grosso, Amazonas e MATOPIBA, o artigo demonstra que esse processo assume três formas distintas, porém interconectadas: arranjos territoriais institucionalizados, formação de corredores logísticos e coordenação contratual-informacional. A análise evidencia como o grupo Amaggi coordena essas diferentes configurações de fronteira em múltiplas escalas, combinando ativos econômicos, influência política e visibilidade simbólica. O caso demonstra a relevância analítica dos grupos empresariais familiares do agronegócio como atores organizacionais na produção contemporânea de fronteiras capitalistas e sustenta sua incorporação mais sistemática aos estudos agrários críticos sobre a produção do espaço.
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