Religião e relações de força: uma análise discursiva do texto “Manifesto à Nação”, da Igreja Católica Apostólica Brasileira
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2236-4242.v37i4p173-192Palavras-chave:
Análise do Discurso, Manifesto à Nação, Igreja Católica Apostólica Brasileira, Relações de forçaResumo
Este artigo analisa o texto intitulado Manifesto à Nação, escrito por Dom Carlos Duarte Costa, fundador da Igreja Católica Apostólica Brasileira (ICAB). Trata-se de um documento histórico que, em sua textualidade, materializa relações de força em disputa por posições de poder no âmbito religioso. Nosso referencial teórico é o da Análise do Discurso, fundada por Michel Pêcheux (1988;1997;1999) com contribuições de Eni Orlandi (1987; 1996a; 1996b; 2001; 2002; 2006; 2007). A partir das análises, compreendemos discursivamente o funcionamento das relações de força entre os interlocutores: a ICAB, a nação brasileira, o papa e a Igreja Romana. Consideramos que na materialidade deste manifesto, os lugares de quem fala e de quem escuta e de onde se fala e de onde se escuta são decisivos nos confrontos de sentidos presentes na sua textualidade. As relações de força, no Manifesto, são marcadas, sobretudo, pela tentativa de Dom Carlos de fazer significar e instaurar outra posição-sujeito, por meio da voz da nova instituição, a Igreja. Por fim, vimos que o movimento de sentidos se dá no jogo de controle/confronto, possibilitando a instalação de outro sítio de significância no âmbito da religiosidade brasileira.
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