Discurso, ideologia e censura: uma análise comparativa do Regulamento (UE) 2022/2065 e da bula Inter sollicitudines (1515)

Auteurs

DOI :

https://doi.org/10.11606/issn.2236-4242.v38i2p305-323

Mots-clés :

Análise do discurso, Desinformação, Liberdade de expressão, Manipulação, Disseminação

Résumé

Este estudo analisa a construção discursiva da noção de censura no Regulamento (UE) 2022/2065 e na bula Inter Sollicitudines do Papa Leão X. Para tal, enquadra-se no marco teórico da Análise do Discurso e da Teoria Semiolinguística. Em particular, fundamenta-se nos trabalhos sobre discursos constituintes (Maingueneau; Cossutta, 1995), imaginário sociodiscursivo (Charaudeau, 2005; 2007) e manipulação discursiva (Charaudeau, 2009). Os aspetos ideológicos também são analisados a partir da proposta sociolinguística de Thompson (1990) sobre os modos de operação da ideologia, enquadrada na Análise Crítica do Discurso. A metodologia centra-se na análise das estratégias discursivas mobilizadas para construir a noção de censura; nomeadamente, a escolha lexical, no plano do enunciado, e o recurso à ativação de um imaginário sociodiscursivo dado, no plano da enunciação. Tais estratégias não só legitimam a censura, mas também reforçam as estruturas de poder, delimitando o que pode ser considerado informação fiável. O objetivo do presente trabalho consiste em salientar que a ambiguidade dos termos utilizados para definir, regular e aplicar restrições à disseminação da informação possibilita a manipulação discursiva por parte de legisladores e reguladores. Com base nos resultados, demonstramos que tal ambiguidade permite uma interpretação arbitrária que favorece a utilização da censura como instrumento ideológico.

Téléchargements

Les données relatives au téléchargement ne sont pas encore disponibles.

Biographie de l'auteur

  • Patrícia Domínguez, Instituto Português de Administração de Marketing de Lisboa

    Doutora em Linguística pela Universidade NOVA de Lisboa, Portugal (2023). Professora do Instituto Português de Administração de Marketing de Lisboa, Portugal.

Références

CHARAUDEAU, P. Le discours politique. Les masques du pouvoir. Paris: Vuibert, 2005.

CHARAUDEAU, P. Les stéréotypes, c’est bien. Les imaginaires, c’est mieux. In: BOYER, H. (Dir.). Stéréotypage, stéréotypes: fonctionnements ordinaires et mises en scène. Paris: L’Harmattan, 2007. Disponível em: http://www.patrick-charaudeau.com/Les-stereotypes-c-est-bien-Les,98.htm. Acesso em 15 fev. 2025.

CHARAUDEAU, P. Le discours de manipulation entre persuasion et influence sociale. Actes du colloque de Lyon, 2009. Disponível em: http://www.patrick-charaudeau.com/Le-discours-de-manipulation.html. Acesso em 15 fev. 2025.

MAINGUENEAU, D.; COSSUTTA, F. L'analyse des discours constituants. Langages, v. 29, n. 117, p. 112-125, 1995. DOI: https://doi.org/10.3406/lgge.1995.1709.

MAINGUENEAU, D. Le discours politique et son "environnement". Mots. Les langages du politique, n. 94, p. 85-90, 2010. DOI: https://doi.org/10.4000/mots.19868.

THOMPSON, J. Ideology and modern culture: critical social theory in the era of mass communication. Cambridge: Polity Press & Blackwell Publishers Ltd., 1990.

Téléchargements

Publiée

2025-08-31

Comment citer

DOMÍNGUEZ, Patrícia. Discurso, ideologia e censura: uma análise comparativa do Regulamento (UE) 2022/2065 e da bula Inter sollicitudines (1515). Linha D’Água, São Paulo, v. 38, n. 2, p. 305–323, 2025. DOI: 10.11606/issn.2236-4242.v38i2p305-323. Disponível em: https://revistas.usp.br/linhadagua/article/view/234379. Acesso em: 30 mars. 2026.