Corpos de mulheres em guerra: as soviéticas no front durante a Segunda Guerra Mundial
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2236-4242.v38i3p115-135Palavras-chave:
Mulheres, Segunda Guerra Mundial, Memórias, Gênero, Campos de batalhasResumo
Este trabalho se propõe a analisar a obra A guerra não tem rosto de mulher, da jornalista bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, laureada com o Prêmio Nobel de Literatura. A investigação é conduzida a partir da perspectiva dos estudos sobre gênero e suas relações com a memória, considerando a experiência das mulheres soviéticas no front da Segunda Guerra Mundial. Consideram-se as peculiaridades de espaço e tempo presentes na narrativa, mobilizando o conceito bakhtiniano de cronotopo para examinar as conexões entre o ambiente de guerra e a subjetividade das testemunhas. Ademais, são pontuadas problemáticas inerentes às narrativas de memória traumática, explorando a tensão entre a lembrança e o esquecimento, bem como os desafios da representação da catástrofe. Reflete-se, ainda, sobre o sistemático silenciamento sofrido por essas combatentes, tanto pela História oficial quanto pela sociedade, investigando as razões pelas quais seus relatos e discursos foram suprimidos, adiados e deslegitimados em detrimento de uma visão androcêntrica do conflito. Os aportes teóricos que orientam o texto articulam proposições de autores como Mikhail Bakhtin, Ecléa Bosi, Elisabeth Badinter, Teresa de Lauretis, Michel Foucault, Michel Pollak, Giorgio Agamben, Márcio Seligmann-Silva, Sigmund Freud e Theodor Adorno, visando compreender a construção da identidade feminina e a resistência em contextos de violência extrema.
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