Identidade, gênero e trabalho: vivências de mulheres sírias refugiadas no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2446-5240.malala.2025.235359Palabras clave:
identidade, sírias refugiadas, mercado de trabalho, BrasilResumen
Este capítulo de dissertação tem como proposta compreender as vivências das mulheres sírias no Brasil a partir de três eixos: identidade, gênero e inserção laboral. Utilizando a metodologia qualitativa e o Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) de Fernando Lefèvre e Ana Maria Lefèvre, com abordagem etnográfica, que segundo a antropóloga e professora estadunidense Lila Abu-Lughod, no seu livro “A escrita dos mundos de mulheres: histórias beduínas” (2020, p. 13-47), requer, sobretudo, o rompimento com as generalizações características das etnografias clássicas. Isto é, "descrever o outro" implica evitar atribuições simplificadoras aos grupos estudados, reconhecendo a complexidade e a diversidade interna em suas narrativas. Desa forma, o estudo evidencia as dificuldades enfrentadas por essas mulheres, especialmente, no que diz respeito à conciliação entre cuidados familiares, necessidade de geração de renda, bem como, desafios para o reconhecimento de seus direitos trabalhistas e diplomas. A análise destaca a condição de deslocamento duplo — geográfico e subjetivo — vivenciada pelas refugiadas, contribuindo para um processo de reconstrução identitária atravessado por experiências intergeracionais, uma vez que transitam entre papéis tradicionais e novas formas de protagonismo, tornando-se, em muitos casos, chefes de família. Nesse contexto, a identidade, enquanto construção cultural, é formada de maneira não linear e está profundamente relacionada às interações sociais e ao consumo simbólico presente na cultura. Assim, ao dar visibilidade às vozes silenciadas de mulheres em situação de refúgio, o artigo contribui para o debate sobre políticas de acolhimento, inclusão social e equidade de gênero.
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