Falar com sotaque: identidade e alteridade em contextos migratórios de brasileiros(as) na Alemanha

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DOI:

https://doi.org/10.11606/1982-8837e245581

Schlagwörter:

sotaque, identidade, migração, glotopolítica, percepção linguística

Abstract

Este artigo apresenta uma investigação em andamento sobre as percepções de brasileiros(as) sobre a recepção de seus sotaques ao falar alemão, tomando como foco profissionais de enfermagem que migraram para a Alemanha na última década. A partir dos aportes da sociolinguística de contato e da glotopolítica, o estudo analisa o sotaque como fenômeno social e simbólico que articula língua, identidade e poder. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa e interpretativa, fundamentada em entrevistas semiestruturadas e na análise temática de relatos de experiência. Com base em autores como Selinker, Labov, Bourdieu, Revuz, Blanchet e Paviani, o trabalho discute como a diferença sonora é percebida e avaliada socialmente, revelando ambivalências entre estigmatização e reconhecimento. Os resultados indicam que o sotaque funciona, simultaneamente, como marca de pertencimento e como possível fonte de discriminação, influenciando processos de integração e autoimagem dos(as) falantes. Ao compreender o sotaque como lugar de escuta e reconhecimento, o estudo propõe uma reflexão sobre o papel ético da escuta na convivência intercultural, defendendo que a valorização da diversidade linguística é condição para uma educação linguística mais justa e inclusiva.

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Veröffentlicht

2026-02-20

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BRUM, Diogo. Falar com sotaque: identidade e alteridade em contextos migratórios de brasileiros(as) na Alemanha. Pandaemonium Germanicum, São Paulo, Brasil, v. 29, p. e260035, 2026. DOI: 10.11606/1982-8837e245581. Disponível em: https://revistas.usp.br/pg/article/view/245581. Acesso em: 21 feb. 2026.